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O concelho de Alcanena comemora 103 anos no dia 8 de Maio

A exemplo de todas as terras antigas, as origens de Alcanena, como é vulgar dizer-se, perdem-se na noite dos tempos.

No caso de Alcanena, sempre se ouviu dizer que as suas origens são árabes como o seu nome parece querer indicar, qual cabaça oca ou seca, do termo árabe “Alcalina”, que o lugar terá sido conquistado aos Mouros no princípio da portugalidade e que já nesse tempo aqui se curtiam peles, cujas artes se foram desenvolvendo até à indústria conhecida dos dias de hoje.

Durante séculos, Alcanena pertenceu administrativamente ao concelho de Torres Novas até ao dia 8 de Maio de 1914, pelo que a sua história antiga encontra-se certamente escrita, mas diluída na história torrejana, e assim a determinação mais concreta da sua verdadeira origem carecerá de pesquisas mais aprofundadas nos arquivos torrejanos, distritais e quiçá nacionais.

Quanto à história mais recente, posterior à autonomia de 8 de Maio de 1914, essa encontrar-se-á por aí, dispersa em alguns arquivos particulares e possivelmente também nalgum armazém municipal, mas é uma pena que assim seja e que o Município nestes mais de cem anos nunca tivesse tido a sensibilidade suficiente que pudesse ter levado à criação dum Arquivo Municipal, como acontece na generalidade dos concelhos. Seria um modo da história poder ser preservada e dar ensejo a que os historiadores a pudessem estudar e divulgar. É certo que nos últimos anos, um jovem historiador alcanenense, Gabriel Feitor, muito tem trabalhado, muito tem pesquisado e já tem dois livros publicados acerca da História de Alcanena. Louva-se o trabalho deste jovem até porque as dificuldades, de toda a ordem, que tem encontrado pelo caminho, nunca o desencorajaram.

Certo é que Alcanena é uma terra muito antiga, onde a curtimenta de peles foi sempre uma das suas artes, dos seus ofícios e dos seus rendimentos mais importantes e um dos seus saberes conhecidos e reconhecidos através dos tempos. E foi, principalmente com os rendimentos desta actividade da curtimenta de couros, que Alcanena se projectou na região e no País e se ergueu com algumas potencialidades, não só financeiras como também politicas, ainda dentro do concelho de Torres Novas, até ter conseguido a sua autonomia administrativa, depois de muitas lutas que começaram muito antes da República ter sido implantada em 1910.

A história indica-nos que a curtimenta teria sido desenvolvida na região de Alcanena pelos Árabes, portanto muito antes da independência do País, e tudo isto, porque os Árabes, segundo os mais antigos, dominavam a técnica e já sabiam, que as águas de Alcanena, porque, para além de abundantes na região, também muito duras, porque muito calcárias, eram, e são das melhores para abrir os poros dos couros e assim permitir a entrada da curtimenta nos mesmos com mais eficiência, resultando assim solas da melhor qualidade e acima de tudo mais resistentes para as duras e prolongadas tarefas da época.

Porém, independentemente do peso de sempre da indústria na economia local, em Alcanena o sector primário chegou a ter muito peso. Produzia-se bom azeite, bom vinho, bons cereais e bons figos, mas tudo isso os novos tempos têm levado.

Como diziam os mais antigos, já no final do Século XIX Alcanena se movimentava nos meandros políticos da época e da região tendo essa movimentação consistente sido reconhecida, logo nos primórdios da República.

Para o País a República, para Alcanena, o Concelho, era assim que há muito se reclamava a autonomia, como ainda no tempo da Monarquia os cachopos gritavam nas ruas: – Viva a Ré, Viva a Ré, ao que outros respondiam: – Publica, publica, que vais preso, como muitas vezes se ouvia dizer a pessoas mais antigas.

Alcanena gozava pois da fama e do proveito do seu republicanismo.

Quanto às origens do concelho de Alcanena, criado em 8 de Maio de 1914, a maior parte, todo o território da margem esquerda do Alviela, Alcanena, Bugalhos, Minde, Moitas Venda, Monsanto, Serra de Santo António e Vila Moreira pertencia ao concelho de Torres Novas ao passo que toda a área da margem direita do Alviela, Espinheiro, Louriceira e Malhou, pertencia ao Concelho de Santarém. O Rio que une o concelho era a divisão natural dos dois concelhos.

Este ano a Câmara irá comemorar o 103º aniversário da fundação do concelho no próximo dia 8 de Maio, com um programa variado que começa nos dias 4,5 e 6 com o Fórum dos Recursos Sociais, continua no dia 7, logo de manhã, com o tradicional Raid Cicloturistico de Lisboa a Alcanena e à noite um Concerto pela fadista Carminho.

No dia 8 as comemorações começam às 8 horas com uma Alvorada de foguetes, seguindo-se o Içar da Bandeira, a Homenagem aos Fundadores e a Romagem ao Cemitério pelas 10 horas.

De tarde, às 17 horas, realiza-se a Sessão Solene Comemorativa e às 18,30 serão entregues Condecorações Honorificas.

É um programa interessante, mas é pena que as cerimónias do dia do aniversário não possam ter a chamada participação popular já que se trata de um dia normal de trabalho e Alcanena, felizmente, tem tido um desemprego pouco mais que residual.

Parabéns ao concelho de Alcanena, aos seus Promotores e Fundadores e bem assim a todos os seus continuadores.

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