Culturas Doentes

 

Há pouco mais de um ano, o “Diário Digital” noticiava que 25 % dos portugueses sofriam de depressão e que, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, os dados estatísticos apontavam para um aumento desta percentagem.

 

O Dr. Adriano Vaz Serra também afirmou que “é provável que a depressão venha a ultrapassar a gripe no Século XXI”. Um em cada quatro compatriotas padece de transtornos psíquicos e se o peso desta calamidade já era enorme antes da presente crise económica, pois imagine-se a dimensão actual deste problema. Milhões de portugueses andam com medo de tudo. Mesmo os que sabem analisar filosoficamente a situação e possuem uma formação humana e intelectual muito acima da média. Sirva de exemplo o seguinte desabafo do melhor bloguista torrejano: “Eu só não digo o que penso desta gente e o que mereciam porque sou professor e neste paraíso de socrática maioria absoluta não sei o que me pode acontecer e tenho ainda dois filhos para criar”.

 

A eclosão da desgovernação “socialista” mergulhou a nação no medo e na confusão. Receia-se a justiça lenta e inadequada que faz por não existir, a violência endémica, a impunidade dos assaltos, as extorsões do fisco, as intrujices do primeiro-ministro e dos autarcas, as inequidades do poder, a instabilidade dos empregos, o futuro dos filhos e, sobretudo, a descoberta de que nada vai melhorar nos próximos anos. E, se os cidadãos cederem ao comodismo de não irem votar contra, não será logo após as eleições que o país se libertará do Estado Novíssimo dos Pinto de Sousa, Armando Vara e outros que assinam igualmente como “engs.”e “drs.” da Independente. Gente séria fica deprimida. Mas vem a propósito recordar que já assim não será para “Armando Vara que foi promovido na Caixa Geral de Depósitos um mês e meio depois de ter abandonado os quadros do banco público para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Português” (Público, 12.Jan.2009).

 

Por este caminho, em breve, serão uma verdadeira multidão os portugueses a pensarem que o problema não é salvar Portugal, mas sim salvarem-se de Portugal. Há sociedades que ficam doentes e o seu estudo faz parte dos programas de Antropologia Psicológica. Enquanto que, em geral, as culturas se desenvolvem no sentido da adaptação a novas circunstâncias, também é de reconhecer que o saber antropológico identificou outras que se tornaram patogénicas. É o que argumenta o Professor Roberto Edgerton, quando examina a disfunção de certos valores e as construções erróneas da realidade.

 

Edgerton levou a análise para outro patamar, aplicando o conceito de desarranjo psicológico à totalidade de uma cultura. Defende que, tal como o comportamento dalgumas pessoas, determinadas sociedades podem ser classificadas como desviantes. Para tal, necessitam de preencher três critérios: 1. não sobreviverem; 2. os membros estarem de tal maneira desgostosos com a própria cultura que ela deixa de ser viável; e 3. terem convicções que são, físicamente e psicológicamente, perigosas para os membros da comunidade.

 

É óbvio que nem todos os investigadores partilham esta opinião. Ela vale o que vale. Porém, deve ser tida em conta para que possamos compreender países como o nosso. Cedo se conclui que Portugal está a ficar no campo da politíca mais selvático do que a Amazónia e, do ponto de vista económico, mais desértico do que o Saará. Com efeito podemos afirmar que a cultura é como um par de óculos usados para construir, definir e interpretar a realidade social.

 

O que se vê e se sabe é apenas o topo do iceberg. O lambebotismo impede que se chamem os “boys” pelos nomes e os raros cidadãos que, antes do 25 de Abril, combateram o estado salazarento, devem continuar a ter a coragem de tampouco aceitarem as inverdades e fantasmagorias só-cretinas.

 

São numerosos os motivos para o aumento inusitado de depressões em Portugal. Para identificar a etiologia desta epidemia não é necessário consultar o psiquiatra, basta uma palavrinha com o Professor Karamba, curandeiro emérito, ou uma visita à Bruxa do Arrepiado. Explicam tudo e cobram uma fracção do que o presente governo nos leva num sem fim de impostos usurários, taxas, multas, emolumentos, coimas, etc.etc.etc. É um tal “fartar vilanagem” que é de se perder o juízo. E, como se não chegasse, ainda querem “comprar”o nosso voto!

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