Aqui D´El Rei

Quem nos acode no meio deste caos em que vivemos, em que todos os limites se ultrapassaram e aqueles que vivem em contacto com o público se queixam cada vez mais da má educação e da falta de respeito dos mais novos para com os mais velhos?

Todos os dias contacto com antigos colegas professores e as queixas são mais que muitas. As nossas crianças, além da falta de educação nas escolas, são avessas a tudo o que seja estudo e esforço.

Se muitos pais com filhos ao fim de dois ou três minutos, diante do desatino dos seus rebentos, ficam pelos cabelos e os berros multiplicam-se para conseguirem ter alguma paz, imaginem uma sala de aulas com trinta criancinhas mal educadas e malcriadas, não querendo saber do professor para nada!

Quantos professores no fim dum dia de aulas estafante, chegam a casa e não podem ouvir os respetivos filhos por mais normais que sejam? Acabei de ouvir o testemunho dum colega :”podemos até fazer o pino porque pouco ou nada conseguiremos pedagogicamente dos nossos alunos, sobretudo dos sétimos, oitavos e nonos anos”. Dizem na cara do professor que não querem aprender e chegam à desvergonha de dizerem quando o professor os repreende: “Você não pode bater-me!”

Depois ainda vem o Ministério com grelhas, relatórios, fichas e sei lá mais o quê! Alguém lê toda esta papelada?

Que vontade tem um professor, ao fim de um dia a aturar todas estas crianças mal comportadas, de preparar as aulas do dia seguinte? Que vontade tem de ir no outro dia para “aquele inferno” onde as teorias mais elaboradas não conseguem colmatar as falhas familiares? Sim, meus amigos, as falhas começam em casa. Os filhos mandam nos pais e estes, muitas vezes fartos de aturarem o público ou patrões esclavagistas, não têm a mínima paciência para as birras dos seus próprios filhos, deixando-os ligados às “play-stations” ou ao computador sem qualquer critério ou vigilância.

Podem os professores tirar mestrados em pedagogia ou ciências da educação que não conseguirão modificar os comportamentos dos seus alunos porque mesmo as famílias bem estruturadas têm dificuldade em educar os seus filhos no meio de toda a tecnologia que lhes entra pelos olhos dentro.

Que incentivos têm os professores para ultrapassarem todo este caos? Os escalões estão congelados porque para eles não há dinheiro mas para os Bancos há. Há escolas a funcionar ainda em contentores onde nem sequer uma sala digna para professores existe onde eles pudessem desabafar uns com os outros e trocar impressões.

Do Ministério vêm projetos atrás de projetos, feitos para anjos e não para os filhos dos humanos. Será que também têm que apresentar trabalho para a União Europeia ver?

Já afirmei aqui e torno a repeti-lo, fundado no testemunho dos meus antigos colegas ainda no ativo: “Se neste momento os professores tivessem outro meio para ganharem o seu pão, noventa por cento deles sairia do ensino.” Ficaríamos sem professores.

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