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Almoço-convívio dos “meninos da escola”

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Os dias crescem, as temperaturas sobem e arrecadamos a roupa de inverno. Chegou a primavera. O sol aparece, os pássaros regressaram e milhares de estudantes estão prestes a concluir mais um ano escolar. Na universidade, começam em breve os exames finais. Com o verão ao virar da esquina, muda a rotina e nós também.

Com o despertar da natureza, entramos na estação do crescimento e da renovação. Descobrimos que é preciso aproveitar cada minuto, pois ao rever uma foto de 2015 notámos a presença de colegas que infelizmente já partiram e não temos o prazer de abraçar. Urge, por conseguinte, criar momentos de encontro, de reminiscência, de confraternização, de amizade e de partilha da saudade.

O relógio não pára e a idade dos “meninos” avança. De igual modo, as suas reuniões também servem para viajar no tempo e confrontar dois universos: a vilória quase rural da década de 60, para todos os efeitos desaparecida ou em vias de desaparecer, e a cidade actual, totalmente diferente. A “modernidade” veio acompanhada da invasão de plásticos e de alumínio, na forma de embalagens e latas. Caminhos, ribeiros e rios ficaram emporcalhados. O país transformou-se numa lixeira.

Estes “malteses”, na sua maioria, nasceram em Torres Novas, aqui cresceram e se desenvolveram. Foi nestas paragens que aprenderam quase todos os segredos da vida e agora gostam de os comparar com a evolução que o mundo levou.

Por exemplo, há quem não consiga viver hoje sem automóvel. Por isso, aqueles que coçaram os fundilhos das calças nos bancos da escola foram, no ano passado, desafiados para uma corrida de carros de ladeira. Apesar do Sr. Benjamim Paiva nos ter encantado com a reconstrução de um destes bólides (”O Almonda” 17.06.2016), o rally ficou adiado porque a chuva abundante tornava o piso resvaladio e as curvas perigosas. Foi a desculpa. Claro que ela não teve nada a ver com a falta de elasticidade pernil e muito menos com a agilidade mental dos craques do volante.

Para esta reunião, quiçá se efectue um raid hípico. O José Carlos Nicolau que não se apavore, pois não necessita de emprestar os seus alazões lusitanos. Basta uns “cavalos de pau”, como os da nossa infância. Se não estamos em erro, eram feitos de uma vassoura velha. A rapaziada que vivia na zona da Levada, ou seja da Rua Alexandre Herculano, conseguia a colaboração dos correeiros. O Sr. José Pereira e o Sr. Correia davam-nos pedaços de couro curtido para fingir de cabeça.  As orelhas eram do mesmo material. Quando eles não tinham desperdícios, utilizávamos o cabedal de algum sapato desusado para fabricar a cabeça da pileca. As rédeas eram de cordel. Nestas brincadeiras, imitávamos os filmes de “cowboys” que víamos no Teatro Virgínia. Zorro? John Wayne? Roy Rodgers? Misturávamo-los todos.

Mas deixemo-nos destes divagações introdutórias para falar do que mais interessa por agora: a repetição de um ritual. Desta vez, o lembrete veio do Dagoberto Formiga. Perguntava qual a data para o célebre repasto dos meninos, pois não lhe agradaria apanhar outra falta como a de 2016.

Este insigne membro da confraria sugeriu um dia em finais de Maio. Em conformidade com as disposições estatutárias aplicáveis e após longas e complicadas negociações em que estiveram em jogo uma viagem do Luís Ribeiro ao Dubai, diversos colegas em cruzeiro no Mediterrâneo, um encontro de antigos combatentes, etc., etc., ficou resolvido que o almoço-convívio 2017 se realizará a 20 de Maio (sábado), no restaurante do Sr. Mário Alturas. Os companheiros que assim desejarem, podem prolongar o divertimento indo festejar à noite o 60º aniversário do Choral Phydellius, em conjunto com a orquestra da GNR. Por coincidência foi há 60 anos que estávamos a terminar os estudos primários.

Um camarada registou que esperava não ficar mal visto. Queria estar presente para se medir com a equipa no manejo do garfo e do copo, embora seja uma competição árdua. Com efeito, tanto na equipa dos ex-alunos do Professor Silva Paiva como na dos Oliveiras, há grandes vedetas no desporto dos “comes e bebes”.

Resumindo e concluindo: a aliciante jornada de confraternização terá início com os abraços da praxe na Praça 5 de Outubro, seguir-se-á o “desfile” (em cavalos de pau?) até ao restaurante do Sr. Mário Alturas. Lá será servido um copioso e bem regado banquete aos valentes cavaleiros. Para não variar, o Luís Ribeiro enviará em breve as convocatórias e, logo que possível, os membros da loja terão de fazer o favor de efectuar as respectivas inscrições junto dos “escriturários” de plantão. Cumpre-nos porém advertir que os retardatários não terão palha para os corcéis.

Vai ser um dia de “é pá, tás óptimo”, de “ lembras-te de…?” e de “o que é feito do…?”. A animação está garantida.

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