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As grandes Escolas

Antes de mais previno que o título desta crónica não é a tradução do francês “Les grandes Écoles”. Trata-se antes de escolas com muitos alunos e, diria mais, com milhares de homens, mulheres, crianças e jovens.

Trata-se não duma escola só, mas de várias: a televisão, o facebook, o tweeter etc.

O Estado podia poupar milhões de euros nos professores e auxiliares de educação.

Todos os dias estas escolas estão abertas e, talvez a mais vista e escutada seja a Televisão. Como a leitura de jornais está cada vez a desaparecer mais, se excetuarmos os jornais sensacionalistas, esta escola, todo o dia e toda a noite aberta, forma milhares de pessoas. Experimentem perguntar a um qualquer dos nossos cidadãos formados nessa escola a sua opinião sobre a política, sobre a corrupção, sobre a economia e terão muitas respostas. Só teremos o trabalho de escolher a que mais nos agrada. É um pouco como os condutores de táxi: têm sempre uma resposta pronta, uma solução para o trânsito, para a polícia ou para a política.

Se por um lado as pessoas são informadas, por outro não têm tempo para poder pensar melhor sobre os diversos assuntos desenvolvidos, criando muitas vezes em nós a sensação que sabemos tudo e de que temos soluções para tudo. Isto se falarmos dos adultos. E as crianças e os jovens? Para estes a televisão já deixou de ser o seu maior atrativo passando a ser o “facebook” ou o “tweeter”. Os curricula destes meios de informação e de desinformação, abrangem todas as matérias, todas as fofoquices, todas as aldrabices e todas as emoções primárias o que torna desnecessária a educação das nossas escolas e os métodos educativos dos pais em casa. Com certeza já todos têm assistido às consequências desastrosas desses meios de comunicação: fugas de jovens atrás duma felicidade enganosa, crianças traumatizadas ou respondonas porque o que os pais dizem não coincide com o que eles vêm ou o que vêm nos “tablets” ou até nos telemóveis.

Estamos a viver num mundo onde a escola universal são as novas tecnologias, muito importantes e até indispensáveis mas que ainda não se civilizaram, ainda estão na idade da pedra lascada. Atravessamos um período em que, muitas vezes é a máquina que comanda o homem e não o homem que comanda a máquina. A última versão dessa tecnologia são os “robots”. Será que o próprio homem, que já é “robot” em sentido figurado, se transformará também em “robot”? Já começamos pelo coração. Falta substituir todas as outras peças do nosso corpo!

Admirável mundo novo mas cada vez mais desumanizado, mundo do” faz de conta”

onde as emoções verdadeiras e tão necessárias à nossa vivência como seres humanos vão desaparecendo. Como formar então as nossas crianças e jovens? Deixá-los-emos entregues aos tubarões que lançam as novas tecnologias só para enriquecer ou para dominar?

Esperemos que no meio do caos se abra um caminho de maior felicidade para o ser humano, uma grande ocasião para nos alcandorarmos e entregarmos ao amor, à fidelidade, à generosidade, à solidariedade. As máquinas deixar-nos-ão tempo para vivermos plenamente a nossa humanidade porque executarão aqueles trabalhos que nos absorviam totalmente.

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