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Memorabilia – Documentos para a História do Concelho de Torres Novas

Agora que estamos em ano eleitoral e começa, na imprensa regional, a apresentação de candidaturas à presidência da autarquia, não é descabido interrogarmo-nos, no sector do património histórico concelhio, o que pensam os diferentes partidos em relação à recolha, estudo e divulgação da memória colectiva, de uma importância considerável, dispersa por um sem número de arquivos e bibliotecas.

Para tal, há que dar resposta a duas questões essenciais: orçamento e pessoal técnico especializado. Urge, para um princípio de estrutura documental arquivística, a feitura dum catálogo com as referências ao concelho de Torres Novas existentes nos múltiplos arquivos nacionais, regionais e mesmo do concelho. Tarefa que, só por si, exige a disponibilidade de técnicos habituados à pesquisa e recolha, online, do que se encontra digitalizado, como nos próprios estabelecimentos onde se guarda a respectiva documentação. Além dos arquivos mencionados no artigo anterior, acrescente-se-lhe o do episcopado português, o das universidades da Madeira e dos Açores, o da Hemeroteca Nacional de Lisboa, o das Academias das Ciências, da História, o da Assembleia da República, o da Maçonaria Portuguesa, do Arquivo Histórico Ultramarino.

Dirão. É uma loucura. É um trabalho gigantesco. E para quê? Qual a utilidade imediata, num mundo onde tudo muda, com as novas tecnologias, tudo se globaliza? Para que serve tal conhecimento?

A história é como um comboio numa ferrovia infinita. Entra-se e sai-se dele em apeadeiros súbitos, mas enquanto passageiros, participa-se na vida compartilhada, múltipla, compartilhada, das suas carruagens. Uma cidade, um concelho, um país, uma federação, etc., têm uma história, dos seus habitantes, das relações entre eles, com os de fora, com o mundo.

O microcosmos imbrica no macrocosmos e vice-versa.

Um local que renegue a sua história é como um doente de alzheimer. Perde o sentido da sua origem, a razão da sua vida.

Não há presente, apenas passado e futuro.

Nenhuma tarefa é mais urgente do que a consciência da sua identidade.

Seria bom que, na campanha eleitoral para as autarquias, que as candidaturas partidárias não deixassem, como tem acontecido quase sempre, o património enredado em acções festivaleiras onde se desmemorializa a memória dum lugar, em nome de objectivos de ganho partidário. Talvez a explicação dos locais abandonados, das aldeias em ruínas, das casas desventradas, das gerações emigradas, da indústria, comércio e agricultura em declínio, esteja nesse foguetório do efémero, que, pela urgência do interesse privado, renega e acomoda no sótão das velharias, os rastos históricos da sociedade torrejana, em contínua mudança na nebulosa do tempo.

Voltaremos ao assunto.

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