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Setenta anos a cantar (2)

E vamos voltar ao já longínquo dia 5 de Junho de 1955, ao Cine Teatro Virgínia e â “graciosa e movimentada Récita de Crianças” com a “colaboração das Crianças da vila e a dedicação generosa e persistente de algumas Senhoras e Meninas”, assim estava escrito no rosto do programa.

Na primeira parte a “interessante Opereta em 1 acto” A PRENDA DE JESUS, original de Suzana Carvalho de Almeida.

Maria da Assunção Serôdio interpretava a figura de “Gracinha”, Manuel Maia Sentieiro a de “D. Jorge”, Maria Bernardete Alves Vieira a figura de “Patusca”, Pedro Jorge Alves Vieira a de “Pilha Galinhas”, Carlos José Galamba a de “Salta Pocinhas”, um puto a que chamavam Jorge Patrício e que por sinal era eu, representava a figura de “Pinga Pinguinhas, depois Jorge Gabriel era o “Capataz” e Elisa Simplício, Ana Luisa Amora e Júlia Pontes as 1ª, 2ª e 3ªs camponesas.

Depois um imenso rol de Camponesas e Camponeses enchiam o palco e davam imensa cor e movimento à peça. Considero que será um pouco fastidioso nomear aqui os seus nomes, mas os leitores vão perdoar e os jovens de há quase 63 anos, ainda vivos, vão gostar de ler os seus nomes e voltar a ser crianças pelo menos por este pequeno artigo: Filomena Caldas, Margarida Alves Vieira, Ana Maria Zuzarte, Luísa Sentieiro, Maria Teresa Alho, Maria do Carmo, Ana Maria Carvalho, Maria do Céu Branco, Hermínia Silva, Maria Jorge Leão, Lúcia Ferreira, Teresa Canelas, Lúcia Rola, Maria José Trincão, Efigénia Carreira, Ilda Jorge Gomes e Maria Amélia Abreu, era as Camponesas e só me falta apresentar as suas fotografias à época, para se poder avaliar tamanha lindeza.

Depois a rapaziada de Camponeses, ao que me conste nenhum seguiu a actividade agrícola: Abílio Alves Vieira, Carlos Alves Vieira, Rui de Oliveira Trincão, João Pedro Clara, Carlos Vidal, Carlos Lavos, Carlos Simplício, Eduardo Gonçalves (Bué), Victor Pereira da Rosa, José Luis Gonçalves, Carlos Manuel de Sousa, João Manuel Correia, Higino Resende e Manuel Almeida.

E sublinhando o ardente desejo de rever esta malta de artistas, com as inevitáveis excepções daqueles que já partiram para o céu e por quem rezamos, chega de nomes e de récita, porque há muito pano para mangas até chegar ao fim.

Só desejo informar que os preços de entrada iam desde os 4$00 para a geral simples até aos 100$00 para os Camarotes de frente, muito dinheiro para aquela época, mas que foi amplamente justificado face â qualidade do espectáculo, como é referido em editorial de primeira página em “O Almonda” de 11 de Junho de 1955 com o título de “Impressões”.

Finalizo por agora informando que todo o espectáculo foi apresentado pela “menina” Maria Luisa Baracho e que a música esteve a cargo de uma orquestra acompanhada pela pianista Maria Gracinda Aires. O ponto foi Manuel Alcobia.

Até um dia destes.

(O autor não adopta o acordo luso brasileiro, por não morrer de amores por ele)

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