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Chegamos a isto!

Pais e professores duas realidade que deveriam trabalhar em conjunto para melhor harmonia e felicidade dos nossos filhos e alunos. Vou-me situar apenas no Primeiro Ciclo do Ensino Básico onde tudo começa para o bem e para o mal.

Parece que os diferentes ministros da educação conseguiram destruir o que havia de específico nesse grau de ensino, ou seja, consideração pelos professores e reconhecimento da sua especificidade tanto na exigência de boas práticas pedagógicas como no respeito que lhes é devido, incluindo o ordenado e as reformas.

Não acham que esses nossos professores têm todo o dia a mesma turma, não têm desconto na componente letiva e agora, depois de tanta reforma, ainda têm que preencher papelada para o caixote do lixo e, contra todas as regras, alguns só acabem o seu dia às tantas da tarde ou da noite!

Alguém já imaginou outra profissão com este desgaste? Só os médicos internos nos hospitais e nas urgências. Como será a chegada a casa destes profissionais?

Dos professores eu sei porque alguns deles foram meus alunos na Escola Superior de Educação. Há situações, sobretudo daqueles que têm família, em que os filhos e os maridos ou as esposas se queixam amargamente da falta de apoio e nalguns casos, há maridos que dizem às respetivas esposas: “Tens que te decidir, ou a escola ou a tua família”. Será isto justo?

Ainda por cima, muitos pais são de uma incompreensão e duma falta de respeito pelos professores dos seus filhos que mais parecem inimigos acusadores. Acreditam mais nos seus rebentos que nos professores. Ponham isto nas vossas cabeças: os professores são professores e não psiquiatras, assistentes sociais ou esbirros das criancinhas. A boa educação dos meninos deve vir de casa.

Sobretudo os professores deste ciclo estão sujeitos a ser enxovalhados pelos pais e não entendo porque procedem assim com os professores. Antigamente os professores eram respeitados e amados. Reparem que muitos de nós lembramo-nos, na maior parte das vezes com muito carinho dos nossos “professores primários” e, raramente nos lembramos doutros professores quer para o bem quer para o mal.

Senhores ministros da educação modifiquem as leis relativas ao trabalho destes mestres e mestras porque deles depende o sucesso ou insucesso do percurso escolar.

Bem sei que estou a pregar no deserto mas é preciso que alguém levante a voz contra o mal-estar que se sente entre os professores do primeiro Ciclo do Ensino Básico.

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