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José Hermano Saraiva em Torres Novas

p3110556A presença do Professor José Hermano Saraiva em Torres Novas, no dia 11 de Março, passou despercebida à generalidade dos torrejanos, apesar do aparato criado e necessário para a gravação do programa exibido todos os Domingos no canal 2 da RTP, “A Alma e a Gente”.

 

“A Alma e a Gente” faz nova viagem pelo espaço e pelo tempo portugueses, na companhia de José Hermano Saraiva, desta vez a Torres Novas. Um programa conhecido e reconhecido que visa a divulgação da cultura, dos acontecimentos históricos, da gastronomia, dos problemas e dos sucessos que se verificam pelo país. Em simultâneo, e ao longo de trinta minutos, o programa pretende revelar aos portugueses aspectos desconhecidos do País, tais como, paisagens que se desconhecem, monumentos a descobrir, paladares a experimentar, trechos de história injustamente esquecidos.

 

No regresso do almoço, O Almonda apercebeu-se da presença do Professor em filmagens junto ao Castelo de Torres Novas. Acompanhando a equipa da Videofono, Imagem Som e Edição, Lda, empresa responsável pela produção do programa, e entre a preparação das gravações de um local para outro, “o Almonda” teve a oportunidade de conversar com o Professor, que se mostrou uma pessoa simples, extremamente acessível e de uma sabedoria extraordinária, embora visivelmente sofrido e já com fortes limitações físicas. Este grande mestre em “portugalidade” e todos os seus cambiantes, falava com gosto e ia dando pequenas lições de história nos intervalos das gravações.

 

Depois de uma passagem pela Tarambola, junto ao Teatro Virgínia, observou com atenção os painéis de Gil Pais, na Praça 5 de Outubro e em seguida, do lado de fora do Castelo, mas tendo este como cenário, continuou com as filmagens. “Quem é este?!” – questionou apontando para a estátua de D. Sancho, da autoria de Cutileiro. Ao receber a sua resposta, bem como o nome do escultor, logo retorquiu com humor: “Mas o D. Sancho fez algum mal a Torres Novas?!”

 

Sem texto decorado ou apontamentos para se socorrer caso a memória falhasse, apenas confiante na sua sabedoria e invejável lucidez, a sua preocupação constante é a de não exceder o tempo permitido. Já no interior da Igreja de S. Pedro mostrou-se encantado com a riqueza do templo: “É lindíssima”, repetiu várias vezes. De S. Pedro para a Igreja da Misericórdia, dedicou a sua atenção ao Presépio de Machado de Castro, que elogiou vivamente como uma riqueza maior de Torres Novas. Por fim, passagem ainda pelo Museu Municipal, afim de aprofundar um pouco a vida e obra do pintor Carlos Reis. A terminar este primeiro dia de gravações, uma última paragem na zona industrial da cidade.

 

Um encontro que merece destaque aconteceu ainda na Igreja da Misericórdia, onde o historiador e escritor torrejano Joaquim Rodrigues Bicho esteve à conversa com o Professor José Hermano Saraiva, um diálogo entre duas personagens exemplares de amor à terra, cujo conteúdo facilmente se adivinha, não fossem dois homens ligados à história.

 

Uma conversa agradável e sem reservas

 

 

O Professor José Hermano Saraiva completará no dia 3 de Outubro, “um mês muito bonito”, a impressionante idade de 90 anos. Casado e pai de cinco filhos, o Professor fez-se acompanhar pela esposa, Maria de Lurdes, e contou em tom de brincadeira como se conheceram, para quantos o acompanhavam de perto:

 

“Conhecemo-nos na Faculdade de Letras. Eu tinha lido a História Contemporânea de Oliveira Martins, onde se dizia que o Marquês Sá da Bandeira era o único homem honesto do século XIX. Ora, o Marquês Sá da Bandeira é tio-bisavô da minha mulher, e eu então pensei: Se é sobrinha bisneta do único homem honesto do séc. XIX, talvez ela seja a única mulher honesta do século XX!!! Conhecemo-nos na festa de caloiros do 1º ano, namorámos cinco anos, e estamos casados há 64 anos. Temos cinco filhos, todos rapazes, e seis netos, duas meninas e quatro rapazes.”

 

Célia Ramos

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One thought on “José Hermano Saraiva em Torres Novas

  1. Sempre apreciei o Professor Doutor e, acima de tudo, historiador de Portugal. Reconheci-o pela sua sabedoria e manifestação da sua sensibilidade e Humanismo. Tive aulas com o filho na Universidade de Psicologia de Lisboa. Considero que ele tem um sentimento humano que, de algum modo, se assemelha à do seu pai. Conheci recentemente o outro filho que tem a seu cargo a parte cultural da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Reconheço que se empreende com grande entusiasmo na sua tarefa.

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