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Amigos. Até quando?

Ultimamente no meu grupo fala-se de amizade. Organizamos pequenos debates que nos levam a grandes palestras em volta duma mesa algures por aí. Não somos muitos, mas estão os que podem e querem estar. Por vezes desentendamo-nos, gritamos, damos conselhos àqueles que estão a passar por uma crise emocional.

Existem vários tipos de amizades. Umas de longos anos que se perdem no tempo e quando regressam perdem o encanto. Parecem-nos desconhecidos. Olhamos para ela e dizemos:-“ será que é o mesmo amigo que conheci há 20 e tal anos? “.

E há aquele tipo de amigo que nos encanta ao primeiro olhar, que nos saúda com histórias da sua vida, que nos apoia, que nos sorri, que nos pergunta como estamos. É como uma magia e ficamos maravilhados com essa boa energia. Uma luz viva. Sem que nada fizesse prever a luz apaga-se. Perde-se a magia por entre as mãos que se acenaram. Fica apenas o silêncio.

Também há o amigo ingrato que vive por amizade numa casa emprestada e não tem respeito por quem sempre o ajudou. Vira as costas ao mínimo conselho, ao não que tem de ser dito. Bate com a porta, ofende, magoa e a outra pessoa deixa-se levar. É tudo uma questão de tempo, mas há que abrir os olhos e tomar consciência que amizades dessas são apenas de fantasia.

Felizmente ainda há aquele amigo ou amiga que apenas por uma frase que escrevemos, nos pergunta se estamos bem. Desses especiais há muito poucos, quase raros. Posso dizer-vos que fazem parte de mim, me amparam, me aceitam sem me julgarem. E isso é de louvar e agradecer sempre a presença dessas pessoas.

Durante a nossa passagem pela terra, cruzamo-nos com milhares de rostos, de olhos, de corações. Ouvimos as suas vozes, os seus lamentos, as suas alegrias. Sentamo-nos a conversar como se fizessem parte da nossa comunidade. São momentos que nos acontecem numa viagem de comboio, num aeroporto, numa praia, num hospital. Trocamos moradas ou números de telemóvel prometendo sem fazer promessas que para o ano nos encontraremos novamente. No entanto, sabemos que talvez não nos voltemos a cruzar. Mas ficam as memórias, o pensamento feliz de que não podemos viver sem amigos, mesmo que sejam viajantes nómadas.

Até quando durará uma amizade?

Ninguém sabe, pois podemos ter um amigo ao nosso lado e nunca o conheceremos na realidade.

Mas aproveitemos as nossas amizades com honestidade, sinceridade e ternura.

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