INAUGURAÇÃO

No dia 21 do mês de Julho, como representante das Aldeias históricas portuguesas p.m. fui convidado a assistir à inauguração do museu do Mosteiro de S.João de Tarouca com a presença do senhor ministro da cultura Luís Filipe Castro Mendes.

Foi um ato de enorme importância depois das escavações arqueológicas realizadas nas ruínas do complexo monástico, durante quatro anos.

Este mosteiro foi a primeira fundação da Ordem de Cister em Portugal ou melhor no condado portucalense. S.Bernardo, fundador da nobel ordem, contactado por Afonso Henriques, enviou 12 monges franceses para o estabelecimento em Portugal da Ordem de Cister. A fundação do mosteiro, talvez com a presença de Afonso Henriques, data de 1140. Daqui teriam partido monges para a fundação de Alcobaça. O mosteiro foi a alavanca para o desenvolvimento da região e a sua influência estendeu-se até ao Douro que fica a 24 quilómetros de distância. A sua arquitetura foi decalcada do mosteiro de Fontenay em França.

Hoje resta a grandiosa igreja cisterciense, única em Portugal e o dormitório do século XVIII. O resto, vendido em hasta pública depois da expulsão das ordens religiosas em 1834, foi vendido pedra a pedra pelos donos. Ainda existem fotografias de 1920 em que se vê a porta da casa do capítulo e duas janelas. Entre o dormitório do século XVIII e a Igreja havia uma horta que cobria totalmente as ruínas do claustro, do refeitório, do scriptorium, dos dormitórios primitivos dos monges e dos conversos, das cozinhas e das latrinas. Com as novas tecnologias foi possível ao arqueólogo Dr. Sebastian. reconstituir o mosteiro primitivo. Isto pode ver-se num diaporama no museu agora inaugurado pelo senhor Ministro. Depois dos discursos da praxe, o arqueólogo que conduziu os trabalhos, ia explicando ao senhor Ministro todos os artefactos encontrados nas ruínas, entre os quais uma pulseira de oração em prata com inscrição que, segundo ele é única na Europa bem assim como o anel do primeiro Abade do mosteiro.

Além das individualidades concelhias, acompanhavam o senhor Ministro funcionários da direção regional da cultura do norte e funcionários do Ministério. Enquanto o arqueólogo ia explicando tudo (eu ia ao lado do senhor Ministro porque queria ouvir as palavras do arqueólogo) os outros acompanhantes iam andando de sala para sala sem ligarem nenhuma às palavras do Dr. Sebastian. Além da indelicadeza era uma vergonha pois se eram altos funcionários do Estado e da direção regional da Cultura do Norte, deviam ter interesse por tudo o que dizia respeito àquela inauguração visto tratar-se de uma ação de cultura. Além do mais era uma ocasião única de conhecerem um monumento, anterior à nacionalidade e que muito contribuiu para a cultura pelos livros copiados no scriptorium e pela ação dos monges no desenvolvimento da agricultura da região. Compreendo: as ajudas de custo estavam garantidas e o almoço que se seguiu na Casa do Paço de Dalvares estava à espera deles! Será pedir muito aos nossos representantes que tenham um bocadinho de dignidade e decoro?

Confesso que fiquei escandalizado, não só por esta atitude desses altos funcionários como pela arrogância que mostrava o senhor arqueólgo quando eu acrescentava alguma coisa de que ele não tinha conhecimento (pois desde muito novo me dediquei a investigar o monumento) e do interesse que o senhor Ministro mostrou pelas minhas intervenções. A superioridade dos técnicos não fica bem porque ninguém sabe tudo.

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