Home > Colaboradores > Carlos Pinheiro > As portagens na A23 e na A13

As portagens na A23 e na A13

Esta semana era para escrever sobre os problemas do Centro Hospitalar do Médio Tejo, mas de facto sinto-me obrigado a escrever sobre as portagens.

Porém, mesmo assim não posso deixar de passar ao papel algumas palavras sobre a reorganização hospitalar que parece estar em curso. A mesma nunca resolverá os problemas de nascença da criação de três Hospitais, quando um em condições e bem centralizado, serviria muito melhor e com muito menos dinheiro toda esta vasta área. Aliás, em 8 de Outubro de 2006, já estão a passar 10 anos, escrevi neste jornal, numa altura em que ainda havia dinheiro e onde as ideias megalómanas dos novos aeroportos da Ota e depois de Alcochete, e do TGV, ferviam e dividiam as pessoas, que os três edifícios hospitalares deveriam ser postos à venda para servirem, com as devidas adaptações, de Hotéis de Luxo com piscinas, campos de ténis, heliportos, que muito poderiam ter desenvolvido esta região em termos turísticos, criando emprego, aproveitando todo o potencial do Tejo, da paisagem, da gastronomia e da monumentalidade existente na região e até transformando a antiga BA 3 em Tancos em Aeroporto para servir o turismo que seria criado e aumentado todos os dias. Como diria Paulo Futre, estariam criadas todas as condições para virem todos os dias charters de chineses e não só, digo eu, para apreciarem a nossa região e tudo do bom que a mesma tem.

Mas quem podia e devia ter feito alguma coisa, fez ouvidos de mercador e por isso as coisas vão-se complicando todos os dias.

Na situação presente, o facto da Cardiologia ir de Torres Novas para Abrantes não será um grande problema.

Grande problema é a Unidade Médico Cirúrgica continuar em Abrantes quando deveria estar em Torres Novas por motivos mais que suficientes a saber: Melhores instalações em todos os aspectos sem necessidade de grandes obras, ao invés de Abrantes onde as obras não param, melhor centralidade para toda a região e Ourém que o diga, e melhores acessos em todos os sentidos que nem é preciso estar a explicar.

De qualquer forma tudo o que em 2006 defendi – venda dos 3 Hospitais para Hotéis de Luxo e construção de um Hospital novo ali na zona da Atalaia, por exemplo – ainda se pode fazer porque o dinheiro existe, concentrado é certo, mas existe e portanto é tudo uma questão de negócio desde que seja claro e transparente e os interesses nacionais defendidos. Mas a mudança da Unidade Médico Cirúrgica para Torres Novas, enquanto não for construído o novo Hospital, isso pode-se fazer muito rapidamente desde que os responsáveis compreendam o interesse público, o interesse das populações e actuem em conformidade. Vamos aguardar para ver, ainda com alguma esperança que a clarividência vença, porque a esperança será sempre a última a morrer.

Vamos então às portagens da A23 e da A13, especialmente dos troços da A1 até Abrantes e da Atalaia até Tomar. Tanto num caso como no outro, esses troços da A23 e da A13, como se devem lembrar, foram construídos e pagos pela antiga Junta Autónoma das Estradas com apoios da CEE e depois dados de mão beijada, no primeiro caso à SCUTVIAS e no segundo à ASCENDI. Aliás, tudo isso referi e alertei numa Carta Aberta que, neste jornal, em 06.10.13, -já lá vão três anos – dirigi aos Presidentes então eleitos das Câmaras Municipais de Alcanena, Torres Novas, Entroncamento, V. N. da Barquinha, Constância, Tomar, Abrantes, Mação e Sardoal, no sentido de se unirem para defenderem os seus Municípios e os seus munícipes neste caso aberrante das portagens referidas.

Mas claro essa carta mereceu o mesmo tratamento que muitas merecem que é o seu arquivo no chamado arquivo sexto, ou melhor no cesto.

Tenho pena que assim tivesse acontecido, mas como agora algumas autarquias, nomeadamente a de Tomar, se começa a preocupar com o preço das portagens da sua e nossa A13, penso que seria bom que os senhores autarcas dormissem um noite sobre este assunto e no outro se reunissem para se organizarem e falarem a uma só voz a defenderem os interesses comuns que não podemos perder de vista.

Ainda sobre as portagens, a Presidente da Câmara de Tomar também tem razão pelo facto da A13 não ter sido incluída nesse pacote de descontos que abrange a A23 e assim ainda prejudicar mais o seu concelho e todos os concelhos servidos por essa via. É certo que esse desconto de 15% o mesmo é muito pequeno, mas sendo pequeno sempre é melhor do que nada.

Terminando este pequeno trabalho sobre as portagens e sobre os Hospitais deste Médio Tejo, desejo, dentro do possível – passe a imodéstia – que este artigo possa vir a merecer alguma atenção dos visados. Seria bom para todos. Esperemos, sentados.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook