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Memorabilia XXVIII 1971 -2

Ao ter sido eliminada, na composição, a imagem publicada em O Almonda nº 2482, de 19/12/1970, não ficou registada a acção de dois estudantes universitários torrejanos, João Palla Lizardo, que fora nomeado Director do TEUC (Teatro Experimental da Universidade de Coimbra) e da Secção de Artes Plásticas da Associação. E da nomeação de João Bento Pena dos Reis, como membro da Direcção Geral da Associação Académica da Universidade de Coimbra. Cargos que lhes valeram, a prisão, após a visita presidencial a Coimbra do presidente da República Américo Tomás, a 17 de Abril de 1969, para inaugurar o Edifício de Matemáticas, ao primeiro, acusado de sedição, pela Polícia Judiciária, mas libertado ao fim de pouco tempo, o segundo, como já vimos, na primeira parte deste artigo, pela PIDE, levado para Caxias, onde sofreu, entre outras, a tortura do sono.

Esclarecido este ponto, vejamos o que mais atraiu a nossa atenção no segundo semestre de 1971.

Para além dos acontecimentos já referidos nos sectores cultural e religioso, verifica-se , no sector desportivo, ainda que soem já os alarmes dum Almonda poluído pela pena do cronista Aláudio Lavos[1], a secção de pesca do Clube Desportivo de Torres Novas continua a organizar os concursos de pesca: a 31 de Julho a V Taça das Nações e, no dia seguinte, o XIV Concurso Internacional, com a presença de equipas de França, Suiça, Belgica e Espanha, além doutras nacionais.[2] De visitas internacionais, refira-se a presença dos grupos folclóricos jugoslavos Zikica Jovanovis e Ulad Trassvski,no Festival regional de Folclore, nas Lapas, a favor do lar da Criança[3], enquanto o Rancho Folclórico de Riachos participa na Festival de Zagreb, na Jugoslávia e em Agosto, num Festival na Bélgica, como representação nacional.[4]

No sector religioso relevem-se os artigos do padre Vitorino desmistificando a «santa» da ladeira do Pinheiro[5].

Em Setembro, o destaque recai no 3º aniversário do governo de Marcelo Caetano[6]. No mês seguinte, com pouca animação, realizam-se as eleições das Juntas de Freguesia, que não despertam localmente qualquer interesse às oposições, cujos números de eleitores são, além de discutíveis, pouco significativos, se os cotejarmos com os números do recenseamento populacional. [7]Os eleitos tomam posse na Câmara Municipal, a 15 de Novembro, para o quadriénio 1972-75.[8]Tem mais relevo o 40º Aniversário dos Bombeiros ou a XI Confraternização Bancária.[9] Riachos, por sua vez, despede-se do padre António Ribeiro, que vai para o Barreiro -sendo substituído pelo padre Manuel Baptista Frazão, vindo de Colares – dos seus 7 anos de intervenção paroquial de «zelo, dedicação, competência, honestidade, que lhe mereceu a estima, consideração, amizade e respeito de todos os Riachense. Em Roma realiza-se o sínodo dos bispos, que merece a atenção do semanário , havendo nele acusações graves ao governo português pela política colonial, que o governo procura repudiar pelos bispos nacinais[10]. Merece atenção a entrada na Sé de Lisboa do novo patriarca de Lisboa, Dr. António Ribeiro,[11]Na sequência da renovação pastoral que se considera urgente, sob a consigna A Pastoral ao Serviço do Povo de Deus, os sacerdotes da vigararia de Torres Novas reúnem-se semanalmente, para troca de impressões.[12]

Em Novembro anuncia-se o 1º Encontro de Grupos Corais, onde se ouvirá, com harmonização do Fernando Lopes Graça, Os Homens que vão Para a Guerra…[13]O Almonda entra no seu 54º ano de existência[14]

Em Dezembro, toma posse o Conselho Municipal e a nova vereação para o quadriénio 1972/75.[15]

Na cultura, além da página de Canais Rocha, já referida, dos textos interventivos de Vítor Pereira da Rosa, saliente-se a notável acção de divulgação sobre o património e figuras históricas, por Faustino Bretes, com a série Figuras Notáveis.

Outros acontecimentos merecem registo: o Cortejo de Oferendas de 12/12, que culmina com a inauguração do novo bloco operatório[16], seguida da informação de que o Hospital de Torres Novas vai ser promovido à categoria de Distrital.[17]

Mas nem tudo é positivo. A guerra, a emigração, mantém a tensão cidadã em nível elevado, com a rebelião universitária, com funda influência em todos os sectores sociais, como na própria desestruturação da família, ante o perigo de vida que tombou sobre as gerações jovens. Vejam-se , como exemplo, os últimos exemplares do ano, onde são publicadas mensagens e fotografias dos torrejanos nos vários campos de batalha, na Guiné, Angola, Moçambique.

Um ano agitado.

antoniomario45@gmail.com


[1] Poluição no Rio Almonda, in O Almonda nº2508, de 19/6/1974.

[2] O Almonda nº 2615, de 31/7/1971. O Clube Desportivo de Torres Novas ganha o concurso internacional, a França a V Taça.

[3] Id, nº2509. De 26/6/1971.

[4] Id,nº 2619,4/9/1971.

[5] Id, nºs 2615, 7/8; 2626, 23/10; 2627, 30/10; 2629,13/11 ; 2630,20/11; 2631,27/11; 2632,4/12; n2633,11/12

[6] Id., nº2612, 26/9/1971;nº 2623, 2/10/1971.

[7] Id, nº2626, 23/10/1971, onde são revelados alguns nºs eleitorais e os eleitores da União Nacional para s Riachos, Lapas, Mata, nº 2657, 30/10/1971, Pedrógão.

[8] Id, 2629, 13/11/1971.

[9] Id, nº 2624, 9/10/1971.

[10] Id, nº 2623, 2/10/1971;2625, 16/10/1971.

[11] Id,2639, 20/11/1971.

[12] Id, 2632, 4/12/1971.

[13] Id,2628,6/11/1971.

[14] Id, 2631, 27/11/1971.

[15] Id,2632, 4/12/1971.

[16] ,2634,18/12/1971.

[17] 2635,24/12/1971.

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