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Mau profissionalismo

Estamos na Primavera. Uma época que gostamos de ver o desabrochar das plantas; de observar os campos verdejantes; de correr por aí espalhando felicidade. No entanto nem todos podem usufruir desses momentos ao ar livre. Quem tem renites alérgicas, asma, sinusite sofre deveras com este desequilíbrio temporal. Muitos recorrem aos hospitais e aos otorrinos.

Apesar de adorar a Primavera, sou sempre atacada nesta altura, por infeções na garganta, dores de ouvido e dificuldades respiratórias. Como nos centros de saúde ainda não há otorrinos e nos hospitais ficamos em lista de espera, nesta altura vou a uma consulta paga.

Costumo ir a um consultório na nossa cidade. O custo da consulta são 60 €. Há cerca de umas semanas fui lá. O senhor muito risonho, vê os meus ouvidos e diz que estão cheios de cera. Tenho imensas dores. Pensando eu que me ia extrair a cera, não o fez e receita-me um antibiótico de 12 em 12 horas, um anti-inflamatório e Betadine para gargarejar. Entretanto digo-lhe que andava na fisioterapia e tive de interromper, por isso no fim de fazer o tratamento a minha fisioterapeuta aconselhou-me a ir de novo lá. O médico não se mostra interessado, dizendo-me que não vale a pena.

Começo os tratamentos. O antibiótico é grande, parece uma feijoca, torço o nariz, pois desde os tratamentos de radioterapia que a garganta ficou mais seca e tenho dificuldade em engolir comprimidos grandes. Como não os consigo engolir mesmo com muita água, volto lá. Receita-me outro antibiótico da mesma marca, mas desta vez em granulado. Sabe horrivelmente mal. Pergunto-lhe se me quer ver os ouvidos, diz que não. Desta vez a consulta não é a pagar. Sou despachada.

Não me sinto melhor e entro em contacto com a minha médica de família que me diz para ir às urgências do hospital pois está lá. Sou muito bem atendida, receita-me um antibiótico para dissolver em água e um anti-histamínico. Sinto-me melhor.

Agora penso: paguei 60 € num médico que sabe o meu quadro clínico e receita-me coisas que não posso tomar. Não me tira a cera dos ouvidos e não está interessado em ver a minha recuperação. Nunca mais lá volto, aliás volto para fazer uma reclamação no livro. Que falta de ética profissional. É caso para dizer que uns trabalham por gosto e outros trabalham por o dinheiro.

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