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Páscoa da Ressurreição


Brevemente, por todo o mundo cristão, celebra-se a maior festa do cristianismo: a Ressurreição de Cristo. Além de todo o cerimonial incluído nesta festividade, tanto no Ocidente como no Oriente, atrevo-me e dizer que, para muitos cristãos, esta festa maior não passará de um arrepio de alma que logo se esvai com os doces e assados próprios da época.

Apesar de toda a preparação, anterior à Páscoa, só um pequeno número toma consciência do transcendente significado da ressurreição de Cristo.

Continuamos a ouvir as mesmas homilias com as mesmas palavras repetidas até à exaustão sem que, por um lado possamos ultrapassar as aparências e, por outro sem nos despertarem qualquer interesse espiritual. Se lermos com atenção as palavras dos bispos ou mesmo as homilias dos nossos párocos verificamos uma pobreza duma mensagem que não é outra coisa que a repetição monocórdica de tudo oque já foi dito, sem acrescentar uma vivência própria de quem tem obrigação de explorar os textos bíblicos porque não o sabe fazer. Quem te obrigação de revisitar os textos sagrados retirando deles toda a riqueza do seu conteúdo? Os bispos e os presbíteros. Infelizmente limitam-se a debitar os mesmos textos sem qualquer vivência pessoal. Por isso, muitas vezes o povo ouve mas não ouve. Só faço este reparo porque vejo o dormitório de muitas missas paroquiais.

Os textos evangélicos ou do Antigo Testamento, raramente são convertidos em textos vivos porque é mais fácil repetir o que outros disseram em milhões e milhões de homilias. Parece que está tudo dito, ainda por cima porque não há curiosidade nem preparação por parte daqueles que pregam, em ler e reler o texto na sua língua original. Já não falo no Hebraico ou Aramaico, mas pelo menos no Grego ou Latim. Não foi através do Grego que recebemos a mensagem evangélica?

Mas se eu, como responsável só me fio nas traduções, mesmo as que têm a chancela apostólica, perco muito do conteúdo e do seu significado que poderia transmitir aos fiéis.

Vem isto a propósito de duas línguas profundamente ligadas à mensagem evangélica: o Latim e o Grego. Segundo me consta nem os padres hoje as estudam. Por isso ouvi, há dias, um sacerdote dizer a propósito da mulher adúltera que quando Cristo se baixou e começou a escrever no chão, Ele estaria a escrever os pecados dos acusadores.

Onde teria este sacerdote ido buscar semelhante interpretação? Além do mais Cristo estava no Templo e o chão seria de pedra. Mas para quem repete o que ouviu, tudo estará certo.

Parece-me que a nossa Igreja precisa de verdadeiros apaixonados pelos textos dos quais retiramos os motivos da nossa fé. Também nisso somos portugueses pois abordamos pela rama tantas coisas importantes!

E finalmente uma observação: para quando uma celebração da Páscoa nos mesmos dias, tanto para o Ocidente como para o Oriente? Desenganem-se os que pensam que as grandes multidões que rodeiam o Papa Francisco para onde quer que ele vá o acompanharão se ele um dia tiver que subir ao Calvário!

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