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A Sinistralidade Rodoviária em Portugal

Por mero acaso, na noite da última sexta feira tive oportunidade ouvir, na RR, uma entrevista ao Presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, Eng.º José Manuel Trigoso, a quem desde já felicito pela forma brilhante como deu resposta a algumas questões, muitas delas delicadas, sobre a sinistralidade rodoviária.

Mas uma das frases que mais me preocupou foi ter afirmado, com todas as palavras, que 55% dos mortos em acidentes rodoviários são registados dentro das localidades. Impressionante. Quer isto dizer, tomando por base a última estatística disponível acerca do número de mortes resultantes de acidentes rodoviários em Portugal Continental, ano de 2014, que foi de 480, temos que considerar que dentro das localidades terão morrido 264 pessoas. Horroroso. Para tal facto deu algumas pistas, que carecem eventualmente de melhor confirmação, mas não deixou de apontar algumas culpas não só aos condutores, como também aos peões, mas foi mais longe quando disse que, em alguns locais, há muita falta de respeito pelo cumprimento do código da estrada nomeadamente no que respeita ao estacionamento junto às passadeiras. Chegou até a dizer que entidades como a EMEL, que explora o estacionamento em Lisboa, chega a ter lugares de estacionamento em cima de passadeiras. É o cúmulo, mas segundo disse, acontece.

A certa altura sublinhou o perigo do uso vulgaríssimo dos telemóveis, por quem conduz mas também pelos peões, especialmente os equipamentos de última geração que levam as pessoas a ver imagens ou a responder a mensagens escritas e tudo isso leva a distracções momentâneas, que normalmente dão mau resultado.

Falou ainda da sua discordância acerca da uniformidade das velocidades autorizadas nas localidades e nas estradas ditas nacionais, que em sua opinião deveriam aceitar excepções, para mais ou para menos, quando tal se justifique e o bom senso aconselhe. De facto há estradas ditas nacionais que têm troços que não permitem uma marcha em segurança a 90 km/hora ou dentro das localidades a 50 km/hora.

Deu também algum realce à evidente falta de conservação das vias que naturalmente também provoca alguns constrangimentos de trânsito e acidentes e não terá ido mais além porque certamente não conhece a vergonha dos últimos seis quilómetros da ER 361 entre o limite do concelho de Santarém e Alcanena.

Ainda dentro da falta de conservação das vias, não disse mas digo eu, que dentro de muitas localidades há falta de sinalização vertical adequada, há falta de manutenção da sinalização horizontal e tudo isso pode influir para que os números negros continuem a ser mesmo negros.

Penso que este assunto interessa à generalidade da população, condutores e peões, daí a razão de o ter levantado nesta altura pelo facto de ter tido oportunidade de ouvir aquela entidade que conhece profundamente o problema e parece ter alguma dificuldade em sensibilizar as autoridades com a razoabilidade das suas preocupações. Acho que todos temos uma palavra a dizer e acima de tudo melhorar as nossas prestações porque todos, de uma maneira ou de outra, também somos utentes da via.

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One thought on “A Sinistralidade Rodoviária em Portugal

  1. Apenas uma precisão. Em Portugal Continental não morreram em 2014 480 pessoas vítimas da insegurança rodoviária. Esses foram os que faleceram no local do acidente ou a caminho da unidade de saúde.

    Infelizmente, esse número subiu para 638 se considerarmos, tal como é aceite internacionalmente e também em Portugal que devem ser contabilizados todos os óbitos ocorridos até 30 dias depois do sinistro.

    E, mais uma precisão, é dentro das localidades que morrem (percentualmente) mais feridos (graves e, mesmo, leves) nesse período de tempo.

    Poderá avaliar melhor esses números na página internet da ANSR, quer pela análise dos relatórios anuais de sinistralidade, quer pela consulta do Anuário de Segurança Rodoviária.

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