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Ano 55 antes de Cristo

Não garanto a autenticidade desta citação mas parece-me possível. É a tradução de um dos discursos de Cícero feito no ano 55 antes de Cristo e faz com certeza parte de algum livro do mesmo autor. Pelo seu conteúdo faz-nos pensar duas vezes de tal maneira é atual. Mas nisto do Império Romano, ainda há muitas coisas por descobrir e muitas lições a aprender. Eis a citação:

“O orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro Público deve ser reposto, a dívida pública deve ser reduzida, a arrogância dos funcionários públicos deve ser moderada e controlada e a ajuda a outros países deve ser eliminada, para que Roma não vá à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver às custas do Estado”. Marco Túlio Cícero, ano 55 antes de Cristo.

A minha hesitação a dar toda a credibilidade a este texto é que se não diz donde é tirado e portanto não temos conhecimento do seu contexto. Por isso ponho todas as reservas.

Contudo ao lermos outros textos do mesmo Cícero, ficamos admirados com a sua atualidade e com a justeza das suas afirmações. Só como exemplo, cito um texto de Cícero sobre o dinheiro. A cena, descrita pelo autor latino passa-se em 314 antes de Cristo. “Xenócrates (filósofo grego), quando os legados de Alexandre (Magno) lhe entregaram cinquenta talentos (que era a moeda mais valiosa naquela altura, sobretudo em Atenas) conduziu-os à Academia para lhes oferecer uma ceia. Pôs diante deles tudo o que era necessário, sem nenhuma cerimónia. Quando no dia seguinte lhe perguntaram quanto dinheiro tinha gasto: “O quê? Disse, não entendeste no pequeno jantar de ontem que não preciso de dinheiro”? Mas como notasse que eles ficaram muito tristes com estas palavras, aceitou trinta minas (uma moeda muito inferior aos talentos), para que não parecesse que ele desprezava a liberalidade do rei (Alexandre Magno).” (De oratore-Cícero).

Quantos séculos se passaram entre estas e outras histórias cuja atualidade é incontornável! Parece que não aprendemos nada com estes homens e com a sua civilização. Ainda faltava muito para que o Cristianismo aparecesse e os valores humanos já faziam parte do Império Romano. O dinheiro faz parte do nosso dia-a-dia como fazia parte do dia-a-dia dos romanos e gregos mas já então se preocupavam com os orçamentos e com o desapego ao mesmo dinheiro. Veja-se o panorama das nossas sociedades onde el-rei dinheiro faz escravos todos os dias, onde o homem mata o seu semelhante por dinheiro, onde as guerras só são possíveis pelo dinheiro, onde até a amizade é, muitas vezes, minada pelo dinheiro!

Precisamos dele, mas sem nos escravizarmos a ele. Os mercados financeiros, os novos deuses da nossa religião, os juros, roubos encapotados aos mais débeis e mais pobres, os orçamentos, máquinas de engano porque sempre pagos pelos que menos têm aos que tudo têm. Como fazer? Incomodar os senhores da finança, lembrando-lhes que, quando a exploração e a pobreza se revoltarem, eles serão os primeiros a ser atingidos. Tenho uma esperança muito grande porque vejo muita da nossa juventude a querer dar volta a isto tudo. As novas tecnologias entusiasmaram-nos e aí eles encontram muitas soluções para os nossos problemas e que, eles, através disso incomodem a alta finança que vive à custa da desgraça alheia.

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