Memorabilia XVI[1]

Patrão Augusto[2], chamavam-lhe os alunos do Colégio Andrade Corvo, que ajudou a fundar, tendo funcionado, primeiro, na Praça 5 de Outubro, no edifício onde fora a Biblioteca Municipal[3], de seguida, na Avenida Dr. João Martins de Azevedo, futura sede concelhia da Empresa Claras. Mais tarde, adquirido pela Patriarcal de Lisboa, mudou-se para a Quinta de Santo António, onde ainda funciona.

A sua acção foi decisiva, igualmente,  na criação do Colégio João de Deus, aos Anjos, mais tarde transformado em Colégio de Santa Maria, construído no local onde actualmente se encontra. Profunda foi também sua influência na transformação que sofreu o Hospital da Misericórdia, com a criação do centro cirúrgico, a compra do aparelho de RX [4]e a contratação do cirurgião de Coimbra, Dr. Bacalhau, que transformou a procura do hospital pelos doentes, dando-lhe um prestígio que até então não conseguira, tendo aumentado o número e camas para 84.[5]

Na mesma entrevista, recorda sua passagem pela Academia de Coimbra, onde cursou Medicina e, politicamente, participou no C.A.D.C. (Centro Académico da Democracia Cristã), onde estrutura o seu pensamento social e político: «o amor a Deus e o amor ao próximo estão naturalmente ligados e é por estes dois amores que a alma humana se eleva no amor à  pátria A amor avalia-se pelo grau de abnegação de si mesmo, pela dedicação constante e pelo serviço realizado».[6]

Interessante, a descrição que faz da sua acção como director de O Almonda, sem figurar no cabeçalho, em 1923,aparecendo como editor Manuel Jacinto de Oliveira.[7]«Ocupei-me da tipografia, o Manuel Jacinto da papelaria, e o Virgílio do Cartório. O Almonda foi transformado em jornal regionalista, composto por António Almeida e Alberto Cordoeiro·. O Luís Tuna administrava e fazia as notícias das aldeias».[8] Contribuiu muito a sua pena para esse regionalismo, com as secções «Pela Vila», «Pelas Aldeias», que levam a um aumento de tiragem, em poucos anos de 200 para 1.200 exemplares.

Na década de sessenta as suas influências mantém-se, mais como figura moral, até ao seu falecimento em 20 de Março de 1929.[9]

Joaquim Rodrigues Bicho começa a sua vida literária em O Almonda, com uma secção intitulada Problemas do Alto da Vila. Publicada entre 30/9/1961 e 30/12/1661[10]. Aí vai defender a urbanização do bairro de Santo António, S. Domingos, Vila de S. José e Rocio de S. Sebastião, onde, «em 40 anos, apenas três obras de vulto foram realizadas: rede de esgotos, só para a população de Rocio e pequena parte de Santo António; rede de abastecimento de água, de que todos se queixam; alcatroamento da rua de Santo António e Chãs. Junte-se -lhe algumas obras menores, como o poço no Rocio, votado ao abandono, assim como bebedouro as e retretes.». Chama a atenção do poder autárquico para um local onde além dos dois colégios aí instalados,  mora cerca de um terço da população da vila. Ir-se á bater, nos diversos artigos, de forma bairrista, pelos problemas carentes: higiene, arborização, caminhos de acesso e arruamentos, regras de construção, numeração das portas, ruas sem nomes.[11]

É o início dumas obra vastíssima, que espelha o mais profundo amor a Torres novas, seu concelho natal.

O terceiro autor que merece destaque, pela sua publicação em O Almonda, é Faustino Bretes, segeiro de profissão, jornalista, investigador da história concelhia, Presidente da Direcção do Montepio de Nossa Senhora da Nazaré (1965/66, 1966/67), que publica, em comemoração dos centenários do Clube Torrejano (8/2/1862) e  o Montepio de Nossa Senhora da Nazaré 30/5/1862), duas series de artigos , Acerca da Tradição Teatral em Torres Novas[12] e Sobre a História do Clube Torrejano[13]Aliás, em 1962, publica uma brochura  sobre o Centenário do Mutualismo em Torres Novas/1862-1962), na continuidade dum opúsculo  de Artur Gonçalves , O Montepio de Nª Sª da Nazaré (1937).[14]


[1] No último artigo a título Memorabilia indicava o número XVI, quando era o XV.

[2] Seguimos a entrevista que fez o professor Chora Barroso ao Dr. Augusto Mendes, para a secção que coordenava no semanário, O Amanhecer, nº3, O Almonda nº 2256.

[3] Actualmente, edifício onde funciona o turismo e outras secções do município.

[4] Custou 120 contos, conseguido através de subscrição, rifas e festas

[5] O Dr. Augusto Mendes recorda, a 15 /5/1965, a figura do Dr. José Bacalhau, recordando a homenagem que lhe fora feito em Maio de 1950, pela Misericórdia de Torres Novas,

[6] Só que esta concepção de solidariedade com o outro não aceitava a democracia pluralista, as eleições livres, a autodeterminação das colónias, sendo intrinsecamente depreciativo da mentalidade da primeira república,

[7] O Almonda nº181, de 7/1/1923.

[8] Entrevista citada.

[9] Leia-se a sua biografia em Bicho, Joaquim Rodrigues, Torrejanos de Vulto, Ed. Culturais, CMTN, 1999.

[10] O Almonda, do nº2103 a 2116.

[11] Joaquim Rodrigues Bicho (1926 -19/4/2015)

[12] O Almonda, do nº 2118 (6/2/1960) a 2120 (20/2/1960),

[13] Idem, do nº 2075 (18/3/1861), 2126 (10/3/1962 a 2174 (17/1/1963)

[14] Vide, Bicho, ob. cit., Faustino Bretes, 1902-1986.

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