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O Diálogo não pode ser Monólogo

Agradeço a Vítor Antunes as correcções apontadas ao meu texto sobre o semanário legitimista O Imparcial, inserido em A Imprensa Regional no Concelho de Torres Novas (1853-1926), publicado no livro «Torres Novas nos Finais do Século XIX», a páginas 70/71.

Periódico defensor do absolutismo monárquico, o primeiro número veio a lume a 10 de Setembro de 1899[1]. Alíás a fotografia da primeira página do periódico, na página 89 do meu livro demonstra que o erro não passou dum lapso, mas só possível de correcção numa nova edição. O seu autor estava ciente dessa data, aliás já seguida por Artur Gonçalves[2]. Se pudesse reescrever esse texto, com largas dezenas de ano, só publicado em 1994, não só satisfaria o desejo correctivo de Vitor Antunes, como integraria o jornal citado no segundo período da imprensa concelhia (1890 a 1910), já que também ficou incorrectamente situado no  referido texto.

Postas estas correcções, resta-me a penitência dum erro histórico, de facto, mais por precipitação, do que por desconhecimento. Transcreva-se o período que mereceu o puxão de orelhas no artigo «O primeiro número do jornal torrejano «O Realista», em O Almonda de 6 de Novembro: «A 24 de Novembro de 1899 surge «O Imparcial» que, no fim do primeiro ano editorial, muda o nome para «O Realista», precisamente a 25/11/1900, mantendo, contudo, a mesma estrutura e redacção». Estão, de facto erradas, de facto, as duas datas, a primeira já atrás justificada, a segunda por culpa própria.

A série que nos foi permitido utilizar, na altura do estudo feito, proveio do espólio de Faustino Bretes, recolhido pelo então director da B.N.T.N,  arquitecto Jorge de Abreu e por mim, a quem a família concedeu o privilégio da recolha  dos manuscritos e livros pertencentes ao ilustre torrejano. Nessa série de leitura pública no Arquivo Municipal de Torres Novas, o último número de O Imparcial, o 52º, sai em 15 de Setembro de 1900. Do 2º ano. O Realista, datado de 25 de Novembro de 1900, tem o nº 61. E, no cimo da primeira página, uma nota manuscrita de Faustino Bretes, que diz o seguinte: Incompleta série de 26 exemplares, desde o nº 61 ao nº 91 , inclusive.

Existe, na Biblioteca Nacional, uma série, que, na época da investigação, folheámos[3]. O nosso estudo e apontamentos incidiram, por razões de vida profissional e económica própria, na série integrada no Arquivo Municipal. Faltam, portanto, sete números , correspondentes a idênticas semanas.

Vítor Antunes, ao vir corrigir os erros acima já reconhecidos e penitenciados, traz a lume a primeira página do jornal O imparcial, transformado em O Realista, datado de 19 de Setembro de 1990, mas ignora, o que acontece na maioria dos seus importantes artigos de divulgação historiográfica, uma regra fundamental do ofício do historiador, que é a indicação das fontes, permitindo a sua consulta e investigação. Se a fonte é a da Biblioteca Nacional ou outra, é importante que se saiba. A história é uma arte de recriação do tempo da existência e evolução das sociedades humanas, colegial, colectiva, solidária. Obedece a essa regra essencial: o documento é fundamentado, não só pela sua existência, mas pela sua localização. A omissão das provas, desculpe-se-me a divergência, não tem lugar no trabalho de investigação. Quando o autor assume reparos, com omissões destas, há um subentendido de sobranceria, que em investigação histórica levanta sérias reticências. O importante, além da justa rectificação, o autor não informa, A série que consultou onde se encontra? Tem os números que faltam à série do Arquivo Municipal?

Se Vítor Antunes possui novos elementos sobre a imprensa concelhia, e não só sobre o jornal em causa, além dos que publiquei em O Almonda, de 26 de Junho de 2015, importa-se de as tornar conhecidas? Desde já lhe agradeço.

antoniomario45@gmail.com


[1] No texto indicava-se 24 de Novembro de 1899.

[2] Mosaico Torrejano, cap. XII, pg.197;Anais Torrejanos, pg. 153.

[3] Biblioteca Nacional. A quota de então, era BN J. 1652//12/V.

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