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O futuro da ferrovia…

Num país que nos últimos anos encerrou mais de 1.000 Kms de linhas ferroviárias e que mantém ao abandono um linha como a do Oeste, que poderia servir de alternativa à Linha do Norte, mas que foi abandonada a favor das auto-estradas, que mantém cortado o troço entre a Covilhã e a Guarda na Linha da Beira Baixa, que poderia servir de alternativa à linha da Beira Alta, mas que foi abandonada a favor das auto-estradas, que arrancou a Linha da Lousã prometendo o tal Metro Mondego mas nada foi feito a não ser meter as pessoas na rodovia, não me parece venha a ter um futuro promissor a curto prazo. Para tanto, muitas mentalidades têm que ser mudadas.

Mas, por incrível que possa parecer, começa a aparecer uma luz ao fundo do túnel já que os Presidentes das Companhias Ferroviárias Europeias, reunidos na Cimeira de Lisboa, de 17 de Julho, segundo o Expresso do mesmo dia, concluíram que “Os comboios têm que voltar a ser o principal modo de transporte na Europa”. A ideia é boa, a ideia tem pernas para andar, mas, convenhamos, tem que ter a concordância dos senhores dos mercados, que mesmo que não saibam nada da matéria têm sempre quem os leve a tomar as decisões que mais possam convir às suas carteiras.

Por cá, por exemplo, por muita boa vontade que tenha o Presidente da CP e parece que tem e por muito que saiba da sua área e parece que sabe, o mesmo tem que contar que as suas opiniões não passam disso mesmo porque a tutela é que manda. E por outro lado, a CP sozinha manda pouco já que as linhas, as chamadas infraestruturas são de outra empresa que arrancou há pouco, fruto da fusão da REFER com as Estradas de Portugal, constituindo assim a INFRAESTUTURA S DE PORTUGAL que, se tudo continuar por este caminho, mais tarde ou mais cedo irá ser privatizada e portanto as decisões da CP ficam logo comprometidas, porque podem entrar em choque com os interesses do novo futuro dono das linhas, as chamadas Infraestruturas de Portugal, que mesmo que digam o contrário, foram criadas para rentabilizar as auto-estradas.

Mas é pena que não se possa aproveitar esta janela de oportunidade e não se fale a mesma língua nesta Europa cada vez mais desunida mas que neste caso parece ter, por agora, o passo certo.

A titulo de exemplo do que foi o desinvestimento da ferrovia nos últimos anos, para além de todas as linhas que foram encerrando e outras deixadas ao abandono, em 1966 Portugal tinha 6 linhas transfronteiriças a funcionar em ligação a Espanha e ao resto da Europa. Agora tem duas, uma do Porto para Vigo que nunca mais é recuperada e outra por Vilar Formoso. O resto, Barca d’Alva, Beirã/Marvão, Elvas, e Vila Real de Santo António, tudo isso encerrou.

Resta-nos esperar melhores dias porque os comboios podem servir muito melhor e serem rentáveis e quando os homens querem, as obras nascem e crescem. Haja esperança, que é uma coisa que nos anda a faltar há muito tempo dados tantos e tão maus exemplos com que somos brindados todos os dias. Haja esperança.

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