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Pelo Tejo vai-se para o Mundo

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema XX”
Heterónimo de Fernando Pessoa”

Para falar do Tejo, que tão mal está a ser tratado e tão pouco defendido, tive o atrevimento de transcrever o poema acima, aproveitando também o título, de autor insuspeito pelo que espero aplaudam o texto ou pelo menos me perdoem a transcrição.

Falando então do Tejo, agora em plena campanha, claro, os Deputados do PSD dizem-se preocupados com poluição do Rio Tejo em Mação, segundo O Ribatejo de 15 de Maio e questionaram a APA se conseguiu apurar a fonte poluidora que esteve na origem na mortandade de tanto peixe, mais concretamente junto à barragem de Ortiga/Belver, nos concelhos de Mação e do Gavião.

Em 16.06.15 os Deputados desta vez do PSD e CDS saem “em defesa da sustentabilidade do rio Tejo”, segundo o Público de 16.06.15, porque, segundo a noticia, a descida do caudal do rio Tejo, a poluição, a morte de peixes e as descargas ilegais são apenas algumas das preocupações que levaram os deputados da maioria parlamentar a apresentar o projecto da sustentabilidade do rio Tejo.

Já tenho dito muita vez que as eleições deveriam ser anuais para ver se os senhores de S. Bento resolviam, atempadamente, muitos dos problemas que nos afligem e este caso do Tejo é calamitoso. Mas não. Eles só aparecem nestas alturas, Porque será?

Retrocedendo um pouco, segundo Arnaldo Vasques – O Ribatejo de 05.07.15 – “Soaram os alarmes, O Tejo não tem água! Há muito que um Plano integrado para o maior rio ibérico deveria ter sido executado. Em Março de 2001, a Unidade de Gestão do Eixo Prioritário 2, aprovou 5 projectos com um investimento de 1.354 M de contos, com uma comparticipação do FEDER de 812 mil contos, ainda em dinheiro português, digo eu. E o que é que foi feito? O Parque Almourol, a iluminação do cais do Arrepiado, a requalificação ambiental e paisagística do Zêzere em Constância e do Tejo em Abrantes, a limpeza da Vala de Alpiarça. Eis algumas das obras realizadas para protecção e embelezamento das margens e das freguesias ribeirinhas. Pese este investimento, o seu resultado corre risco de se perder a breve trecho, por inexistência do tal plano integrado”… “Conversa fiada, a despoluição dos afluentes (por exemplo o caso do Alviela que deve ter toneladas de crómio depositadas no leito) e o tratamento dos efluentes dos aglomerados e das fábricas da bacia do Tejo. Culpam-se a nuestros hermanos, mas há muito que os responsáveis conhecem os transvases em Espanha. Irrigando desde Arranjuez e Toledo os campos de estufas que se estendem para Múrcia, aquela área produtiva é superior ao que nosso país se cultiva.”

Mas para completar o ramalhete, segundo a Lusa de 30.06.15, diz a “Quercus que a central nuclear de Almaraz é uma “bomba relógio”… e que a mesma, “chumbou num teste de resistência pedido pelo Greenpeace, evidenciando a falta do mesmo tipo de válvulas que permitiu o acidente em Fukushima, Japão” só com uma diferença o problema do Japão, digo eu, cingiu-se aquele país e se Almaraz estourar quem sofre as consequências é Portugal, Beira Baixa, Alto Alentejo, Ribatejo e todo o estuário do Tejo que abrange grande parte dos distritos de Setúbal e de Lisboa e disto ninguém fala, nem sequer os deputados em campanha. E ninguém pensa nisto?

Falemos verdade, unamos esforços e façamos alguma coisa para salvar o Tejo e simultaneamente grande parte deste jardim à beira mar encravado. Mas façamos alguma coisa.

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