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Trapalhadas de toda a ordem

Numa altura em que os propagandistas do costume todos os dias falam das exportações como a grande saída para o equilíbrio da balança de pagamentos, de um momento para o outro vêm contradizer-se ao afastarem o país exportador da maior montra mundial do sector alimentar que vai ser a Exposição Universal de Milão a partir do próximo dia 1 de Maio.

Segundo o Público de 23 de Fevereiro, “a decisão, justificada principalmente pelos custos, coube ao Ministério da Agricultura”. A CAP fala num “erro” e numa “oportunidade perdida”, já que o tema é a alimentação, um dos sectores que mais tem empurrado as exportações, e que tem todas as potencialidades para continuar a crescer, mas para tanto tem que se mostrar aos potenciais mercados carenciados de frescos de qualidade e em quantidade.

Mas, segundo o mesmo jornal, a decisão não escapa à polémica, transcrevendo, “ nos ministérios que, pela sua esfera de responsabilidade, podiam ter uma palavra a dizer sobre a presença de Portugal em Milão, o tema é incómodo. O Ministério dos Negócios Estrangeiros manda perguntar o que se passou ao gabinete do vice primeiro-ministro, Paulo Portas, que tem a responsabilidade da diplomacia económica. O gabinete de Paulo Portas manda perguntar ao Ministério da Agricultura. E, no fim da linha, Assunção Cristas fica com a responsabilidade integral por uma decisão que merece criticas contundentes do sector que tutela. No ano passado, Portugal exportou 4.450 milhões de euros de produtos agrícolas, em cru e transformados, registando um crescimento de 7,7% face ao ano anterior, o que consolidou o sector entre os três pilares do comércio nacional para o exterior. Foi “um excelente desempenho”, admitiu a ministra da Agricultura quando os dados foram conhecidos.”

Citando ainda a mesma notícia, “Luís Mira, secretário-geral da CAP não sabe “como foi possível ter deixado passar esta oportunidade” para um sector que “tem revelado uma enorme capacidade de crescer nas exportações”. Segundo o mesmo responsável, “esta seria uma grande oportunidade para mostrar ao mundo o potencial da nossa produção agrícola, principalmente nos sectores do azeite e do vinho, ou seja, alimentos essenciais da dieta mediterrânica, que hoje em dia são dois sectores de topo mesmo a nível mundial.” “Luís Mira lamenta a “oportunidade perdida” e não percebe o que a tornou possível.”

É mais uma oportunidade que se perde quando se trata de uma “montra” que espera ser visitada por mais de 20 milhões de pessoas e que servirá de plataforma de promoção e de negócios do sector alimentar.

Não se percebe. Mas é assim.

Na semana que passou também vieram a lume declarações, pelo menos controversas, do secretário-geral do maior partido da oposição, quando numa reunião com empresários chineses disse que o País estava agora melhor do que há quatro anos. Claro que declarações destas não agradaram aos seus companheiros de percurso, mas por outro lado os partidos da coligação até bateram palmas de contentes.

Não se percebe. Mas é assim.

Para completar o ramalhete, veio a público, através do Público, que o primeiro-ministro se terá esquecido de pagar contribuições para a Segurança Social entre Outubro de 1999 e Setembro de 2004, tendo entretanto decido pagar voluntariamente a divida apesar da mesma já ter prescrito.

Mas entretanto o Ministro Mota Soares não deixou de dizer publicamente que o primeiro-ministro foi vítima de erros da própria administração. Porquê e para quê esta conversa da treta?

Até o Marcelo no Domingo disse na TVI: “Isto para mim é chinês, não percebo. A pessoa para pagar os impostos não precisa de ser notificada para pagar. Sabe que tem de pagar. Não pagou, ponto final, parágrafo. Durante cinco anos não pagou”, “atribuindo a falha do actual primeiro-ministro a um esquecimento.” Que mais dizer?

Não se percebe. Mas é assim. E assim vamos andando sem se saber bem para onde. Desconfiamos, mas ainda queremos acreditar que se possa arrepiar caminho. Mas com exemplos destes, cada vez vai ser mais difícil sairmos do pântano onde nos meteram. E depois, Bruxelas ameaça-nos que a energia eléctrica vai aumentar mais ainda este ano e os combustíveis estão caríssimos em relação ao preço do barril que nunca esteve tão baixo. E ninguém regula nada disto. Ou melhor, regula a favor dos mesmos.

Não se percebe. Mas é assim. Até quando?

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