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O pior já passou?

Era bom que assim fosse, mas quando o INE publica estatísticas assustadoras acerca da pobreza reinante neste país à beira mar encravado e um alto responsável diz que esses números já são do passado, algo vai muito mal.

Como é que se pode querer esconder a fome que reina em muitos sectores da sociedade e continuar a assobiar para o lado?

Se não acreditam nas estilísticas, vão às cantinas sociais, vão aos bancos alimentares, vão às Misericórdias, às escolas, aos hospitais, ver a forma como as pessoas mais desfavorecidas ali chegam todos os dias.

Ainda sobre as estatísticas em que certos responsáveis não acreditam, era bom que no calar da noite pensassem um pouco acerca do elevado número de mortes que tem vindo a subir nos últimos tempos. Eu sei que até essa tragédia, lá no fundo, lhes agrada porque assim cada vez pagam menos pensões. Mas tudo isto é macabro. Nem sequer estou a falar nas mortes que vão acontecendo nas urgências hospitalares por falta de assistência. Estou só a falar do crescimento assustador das mortes que por falta de nutrição, por falta de acompanhamento, por desprezo absoluto por quem menos pode e nada tem.

Mas ao invés, os sinais de riqueza, à vista desarmada, nos outros do costume, são mais que evidentes. Veja-se a entrada para um Conselho de Estado com todas aquelas viaturas de luxo, como se estivessem em competição. Uma autêntica provocação.

Fizeram cortes de tudo e mais alguma coisa, especialmente na área social, mas vejam lá se eles cortaram alguma coisa nos orçamentos ricos da Presidência da República, da Assembleia da República e nos gabinetes, cheios de rapaziada da cor deles, a receberem do bom e do melhor?

E de resto as trapalhadas continuam. Já tínhamos tido o BPN que todos os dias estamos a pagar com língua de palmo. Agora temos o romance do BES a desenvolver-se todos os dias e, pelos vistos, ninguém é responsável disto tudo. Vão saindo informações graves, mas logo de seguida vêm outros dizer que não disseram nada, que não sabiam de nada, que afinal nós é que somos os mentirosos.

Venderam tudo ao desbarato como se o produto das vendas fosse para baixar a dívida, mas a malvada continua a subir todos os dias. E eles a assobiar.

Quem é que foi o culpado do desmantelamento da PT que era uma empresa estratégica? Nem os condecorados foram acusados de nada, quanto mais irem presos como António Barreto há dias advogava no jornal “I” acerca de muita gente importante que deveria estar à sombra.

É caso para perguntar à ministra da justiça se a impunidade acabou mesmo como ela propalou há tempos. É certo que a operação marquês e a outra dos vistos gold arrecadou alguns. Mal ou bem, ainda não se sabe porque as acusações e os julgamentos tardam. Mas, e os outros?

É impossível que isto chegue a bom porto. Temos o caso da Grécia a tentar arranjar uma solução para os seus problemas, mas os acólitos da imperadora, vêm logo dizer que não pode ser assim e até tivemos oportunidade de ver e ouvir, ao vivo e a cores e em directo um tal repórter de luxo da cadeia do estado a alcunhar os gregos de tudo do pior como se todos fossem corruptos, como se todos fossem cegos, coxos e marrecos à custa da corrupção esquecendo-se esse mesmo senhor que por cá a economia paralela rouba aos cofres do estado muito mais que os “coxos” gregos podem roubar ao seu país.

Mas por lá, as pessoas, mal ou bem, movimentaram-se, uniram-se porque não aguentam mais. Em Espanha, em França e na Itália já se notam movimentações mas por cá parece que as pessoas já desistiram de lutar e de viver.

Pelo andar da carruagem, se isto continua no mesmo ritmo, o pior ainda não passou. Creiam que gostava de estar enganado. Seria bom para muita gente. Mas não acredito nesta gente.

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