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O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª Metade do Século XIX 1897 -1900 – 2

O ano de 1899 inicia-se com queixas, a 15 de Janeiro, da Junta do Salvador ao administrador do concelho, em relação ao professor José Augusto Monteiro, que é acusado de:1 – Não cumprir os seus deveres de professor. 2 – Viciar os mapas da frequência anual dos alunos anteriores a Julho de 1897. 3 -É voz pública que nenhum zelo tem na instrução das crianças. 4- Mandou pedir ao Presidente da Junta de freguesia do Salvador para informar a seu favor, mas ante a reacção deste, retirou o seu pedido. 5-É desleixado, e isto, já de tempos antigos.6 – A Junta de Paróquia acredita que, se não existem notas de castigo contra o referido professor, é porque ele não deixa de importunar pessoas consideradas, para que as queixas não fossem públicas. 7-No mês de Outubro só trouxe um aluno na aula, no mês de Novembro não trouxe nenhum. 8 – A causa do abandono e deserção dos alunos é a negligência do professor.[1] O assunto é apresentado para análise e deliberação superior.

A 18, o administrador[2] informa o Governo Civil que «existe nesta vila um colégio, aonde se ministra o ensino a indivíduos de ambos os sexos, havendo também alguns alunos internos. As pessoas que dirigem a colégio e ministram o ensino são senhoras espanholas, que usam o hábito e filiadas em congregações religiosas estrangeiras, segundo é voz pública e geral.

Diz-se que uma senhora daqui que estava e está no colégio fora, à pouco, professar a Espanha.

Neste colégio havia também uns padres, mas parece que, ultimamente, Sua Eminência, o Cardial Patriarca deu ordem para os padres saírem do colégio, pelo que adquiriram uma casa próxima, onde um deles tem uma aula, em que ensina indivíduos do sexo masculino.

A casa em que está o colégio e a outra próxima foram adquiridos pelo padre Francisco Maria de Oliveira Grainha, da Covilhã, muito conhecido no país, que é quem superiormente dirige tudo, mas não reside aqui, onde vem frequentes vezes.

Parece que esta gente, sem descuidar da salvação das almas, não dispensa os bens terrestres, pois que nesta Administração existe registado um testamento do falecido padre Joaquim Gomes Duque, feito a favor de Lourenço Gonçalves Nabais, da Aldeia da Ponte, concelho do Sabugal e na sua falta a  D. Áurea Monserrate Fito, residente no Colégio de Fraga, Diocese de Viseu. Aquele padre, que tinha alguns contos de réis, deixou irmãos e outros parentes na maior pobreza. A opinião geral é que esta gente faz parte da Companhia de Jesus.[3]»

A 28, toma posse Adelaide Augusta da Conceição Correia, professora temporária da escola do sexo feminino de Árgea.[4]

A 30, o administrador ordena ao regedor da Olaia[5] que receba as chaves da casa da escola, pela saída do lugar da professora Emília Rosa Soares.[6]

Só em Maio voltamos a encontrar informação escolar, precisamente no primeiro dia do mês, quando o mesmo regedor é informado de que deve entregar a chave da escola de Árgea à professora vitalícia do sexo feminino, Maria Rosa de Oliveira.[7] No mesmo dia toma também posse Alfredo José de Morais como professor da escola masculina do mesmo lugar.[8]

Ainda neste mês, tomam posse, a 6, Maria Guilhermina Gorjão Mogo, monitora da escola do sexo feminino da vila, freguesia do Salvador[9] e Francisco Lopes Ferreira, a12, como professor temporário sexo masculino. de Árgea.[10]

Em Junho, a 22, o administrador volta a chamar a atenção, para a aula elementar do sexo masculino , que é actualmente frequentado por três alunos com pouca assiduidade e aproveitamento.[11]

No mês seguinte, a 17, toma posse Henriqueta da Conceição Godinho, como professora temporária do sexo masculino dos Soudos.[12]

Só em Outubro, surgem notícias. A 13, a Câmara substitui o arrendamento da casa de António Gonçalves, daquele lugar, pela de João Mendes, em Pé de Cão, para a aula do sexo masculino, por10$000 réis anuais. A 23, o administrador informa a Comissão Instaladora do Ensino Primário de Santarém, do falecimento do professor do sexo masculino do Pedrógão, Joaquim Gomes Duque.

Em Dezembro, o administrador solicita à Directora do Colégio de Jesus, Maria, José, para satisfazer ordens superiores, com urgência a informação do número de alunos do sexo masculino e feminino que , no colégio, frequentam o ensino elementar.[13]

Ainda neste mês, a 15, a Câmara informa o administrador do concelho de que, a parir do dia 1 de Janeiro próximo,, assume o arrendamento da casa de José Nunes da Isabel, no lugar de Fungalvaz, para residência do professor oficial Venâncio Veríssimo dos Santos, por 12$000 réis anuais.

O ano não termina sem duas tomadas de posse: de José da Silva Barreiros, a 21, para reger interinamente a cadeira do ensino elementar do sexo masculino de Monsanto[14] e, no dia seguinte, Bernardo de Jesus da Silva, para reger interinamente a cadeira elementar do Pedrógão.[15]

Nos próximos artigos iremos seguir o que aconteceu no campo do ensino na primeira década do século XX e última da Monarquia, que marca o limite deste trabalho.


[1] Correspondência com o Governo Civil, Lº1582 88/1(1887-4/11/1890),Nº2, 14

[2] Pedro Correia Monteiro Gorjão, nomeado pelo partido progressista na altura no governo

[3] Corresp. com o G. Civil, nº4,15 – O ofício é revelador da mentalidade anti-jesuítica que os governos, quer regeneradores, quer progressistas, quer a propaganda republicana, desenvolve em crescendo na última década da monarquia.

[4] Autos de Posse,25.11/12/89. A importância estatística sobre as crianças que frequentam o ensino primário assim o exige.

[5] Lº Tomada de Posse, nº1640,93v.-Manuel Rodrigues Fernandes, desde 9/4/1888 .

[6] Corresp. com diversas autoridades lº1519,Nº 7, 30/1/99.

[7] Idem, nº 24,12. Desp. 21/4 (D. Gov. nº 92, 25/4)

[8] Autos de Posse, 25v.Alará da Com. Inst. Dist., de 26/4.

[9] Idem, 26. Alvará da Com. Inst, Dist., de 3/5.

[10] Idem, 26v.

[11] Corresp. com o G. Civil, Nº 27, 18.

[12] Autos de Posse,27 v.

[13] Corresp, nº 57, 16 v.

[14] A Posse,  30

[15] A Posse, 30. Alvará da Com. Inst. Dist,, 16/12.

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