Home > Colaboradores > António Mário Lopes dos Santos > O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª metade do século XIX – 26 1888-1889

O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª metade do século XIX – 26 1888-1889

A Junta de Paróquia do Salvador, a 5 de Janeiro de 1899, pede a Casa da Enfermaria para nela colocar uma escola, a que a Câmara não é receptiva, sempre interessada em instalar nela o ensino secundário.

Nomeia interinamente para Monsanto, como professora, Júlia Maria José Martins Guedes, do mesmo lugar.[1]

A 22 de Março, a ajudante da escola elementar da vila dá conhecimento, por ofício, do falecimento da professora do ensino elementar da mesma escola, D. Carolina Perpétua Lopes. A Câmara propõe à Junta Escolar que se abra uma escola do ensino elementar e complementar do sexo feminino na vila.[2] A 28, informa o subinspector de que as escolas onde há ajudantes nomeados são: Alcanena, para os dois sexos; Assentis, Paço, Pedrógão, Santa Maria (vila), S. Pedro (escola complementar), S. Tiago, Zibreira.[3]

Em. Abril, a 5, abre concursos  para a cadeira de ensino elementar e complementar da vila e para a do ensino elementar do sexo feminino de Monsanto.[4]

No mês seguinte, foi dada posse efectiva da cadeira de professor do ensino complementar a José Augusto dos Santos (Esc. Conde de Ferreira), onde se encontrava interino. Na mesma sessão foi  lido um ofício do Sr Augusto Ruela Ferreira Tavares, tenente de Artilharia Nº 2, propondo à Câmara aceitar as mesmas vantagens concedidas ao reverendo Dr.Guilherme Bobbio Porzia com a cedência da casa da Enfermaria, sujeitando-se ao ensino gratuito da língua francesa aos mancebos deste concelho. A Câmara deliberou, por considerar de utilidade pública, a cedência da casa e manutenção da referida aula, mas de forma provisória e sem prejuízo doutra qualquer aplicação que lhe pretenda dar.[5] Em Junho, a 28, em votação das propostas existentes, foram nomeadas, para a cadeira do ensino elementar e complementar da vila a professora D. Ermelinda Mesquita da Silva e para a elementar de Monsanto, D.Maria do Carmo Tomás Mandes.[6]

Em Setembro, a Junta de freguesia de Parceiros pede a criação dum curso nocturno, A Câmara solicita o parecer da Junta Escolar.

Em Outubro, com o início do ano escolar, surgem novos problemas:

À professora da Olaia. D Conceição da Silva Baptista, por ter sido colocado na Vila da Sertã, é concedida a exoneração. Foi aprovada a substituição do professor de Fungavaz, José da Silva Paula, por um seu aluno, Manuel Gomes , habilitado com o exame de admissão aos liceus.  O professor da vila, José Augusto Monteiro não consegue abrir a sua aula, porque a casa onde decorria aquela foi vendida e a Junta de Paróquia ainda lhe não arranjara outra. Nesse mesma sessão toma posse a professora Dº Ermelinda Mesquita da Silva.[7]

Em Novembro, abre-se concurso para a cadeira feminina, vaga, de Árgea.[8]

Em, Dezembro, o professor José Augusto dos Santos pede a suspensão do seu lugar, durante três anos, por ter sido nomeado, pelo mesmo prazo de tempo, sub-inspector. Deliberou-se ouvir a Junta Escolar e a Junta de Paróquia.[9]

A 27, delibera-se, por maioria, o aumento do vencimento dos professores Pedro Vieira, José Augusto Monteiro e Joaquim Gomes Duque, por terem cumprido seis anos de bom e efectivo serviço

Inicia-se o ano de 1889 com a reeleição do presidente e vice-presidente, mantendo-se no primeiro o Dr. Rafael Pinto Lopes e vice, Augusto Pereira Bretes.[10]Na mesma sessão propõe- se, enquanto não houver substituto para o padre do ensino elementar e complementar, que a mesma seja regida interinamente pelo padre de Salvador e S. Pedro.[11]A 17. a professora do Outeiro pede licença por 6 meses, apresentando como substituta D. Adelina Pereira Mendes.[12] A 31, por votação secreta, é nomeada para o lugar feminino de Árgea, D. Amélia Mesquita da Silva.[13]O ano lectivo corre normal. Em Junho, prevendo o próximo ano, decide-se abrir concurso por espaço de 30 dias a contar da publicação em Diário do Governo, de todos os lugares de professores e ajudantes em regime interino.[14]A 18 desse mês, a Câmara é informada dum ofício do professor da Brogueira informando de que a freguesia foi assolada por uma epidemia de bexigas, mandando ouvir sobre o assunto o delegado de saúde.

A 1 de Agosto  o referido professor, José Martins da Silva Roda,  interrompe a sua aula por 8 dias, ou mais, enquanto a epidemia de varíola grassar na freguesia.[15]A 22, informam-se  as Juntas de Freguesia que devem realizar o recenseamento escolar até 20 de Setembro. Nesse mês, a 12, toma conhecimento da nomeação, para professor do ensino elementar e complementar da vila, do professor José Brandão, de Sobral de Montagraço.[16]No dia 10 de Outubro  a junta de paróquia das Lapas pede a criação de um curso nocturno, o professor respectivo, padre José Marques de Carvalho aumento de vencimento.[17]

A morte do rei  D. Luís. a 19 de Outubro, leva à decisão da celebração das exéquias, em  sessão de 31 desse mês[18]

Em Dezembro, são eleitos para a Junta Escolar, por dois anos, João Albino Ferreira Cerca, Francisco d’Oliveira Cortez e Rafael de Bivar Pinto Lopes.[19] A Câmara, a pedido do professor de Desenho Industrial, cede materiais provenientes da demolição dos Paços do Concelho para as obras a fazer na reparação do edifício da sua Escola .[20]

No dia 28 do corrente, a Câmara deliberou solenizar a aclamação de El-Rei D.Carlos, realizando-se uma sessão extraordinária, seguindo-se um Te-Deum na Igreja de Santa Maria.[21]


[1] A. Cam., Lº 237,16 v-

[2] Idem, fls 26; C.OF., nº73, 86.

[3] .C.Of., nº77, 87.

[4] A. Cam, 26v.

[5] Idem, 31;C.Of,. nº106, 12/5,96.

[6] Idem., 37v; C. Of., nº157,6/7,6; nº174, 27/7,11.

[7] Idem, 4/19/1888,53

[8] Idem., 15/11/1888, 60.

[9] Idem. 20/12/1888,65v. O parecer foi positivo e a suspensão foi deliberada a 27 de Dezembro, id, 66v.

[10] Idem, 3/1/1889,67v.

[11] Padre José Lopes da Silva ou o Padre José Maria d’Almeida. A documentação não indica.

[12] Idem., 17/1, 69.

[13] Idem, 71 v.

[14] Idem,4/7, 88.

[15] Idem, 92.

[16] Idem,96v.Toma posse a 10 de Outubro,id,100v.

[17] C. Of.,nº205,65.

[18] A. Cam.,101 v.

[19] Idem., 106 v.

[20] Actual edifício da Câmara Municipal de Torres Novas.

[21] D.Carlos foi proclamado rei a 25/12/1889.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook