Sal e açúcar

Estávamos a transferir a colaboração desta semana para “O Almonda”, quando ela desapareceu por completo. Como não foi por obra e graça do Divino Espírito Santo nem do DDT, esperamos que algum técnico de informática da faculdade recupere o que se perdeu.

Entretanto, comunicámos com a redacção do jornal que nos informou lamentar o sucedido e que, se quiséssemos, ainda podíamos enviar até quarta-feira de manhã (em Portugal).

Como tínhamos lido alguns artigos científicos sobre descobertas recentes sobre o açúcar e outro mais popularucho, no “Figaro”, sobre o excesso de sal na comida, resolvemos aceitar o desafio.

Toda a gente sabe que qualquer descomedimento é mau para a saúde. Segundo o “New England Journal of Medicine”, as doenças cardiovasculares causadas em grande parte pelo sal são responsáveis, todos os anos, pela morte de mais de um milhão e meio de pessoas.

Em qualquer canto do mundo, o aumento na sua utilização tornou-se um vício difícil de eliminar. Se bem que a propagação de sofisticados sistemas de refrigeração tenham substituído a salgação na conservação de alimentos, ninguém pode esquecer que queijos, pão, carnes frias e fumadas, “fast food” e praticamente toda a comida industrial contêm um elevado teor de sódio.

Na década de 1990, um grupo de cientistas analisou este efeito nos chimpanzés. Ficou provado que o aumento do uso deste elemento resultava em hipertensão arterial. Quando os referidos primatas retomaram uma dieta hipossódica, a tensão logo diminuiu. Apareceu, porém, um problema. Os macacos tinham tomado o gosto e protestavam sempre que lhes eram servidas refeições sem sal.

Pensemos pois nos bebés humanos que à medida que irão crescer desenvolverão uma dependência ao sal, embora saibamos que, após os três anos, os rins conseguem remover muito do que é consumido em demasia.

Uma outra questão em debate é a possibilidade da falta de sódio. Esta pode estar relacionada com o facto de se tratar de um homem ou de uma mulher, da respectiva idade, da cor da pele, etc. Estamos cientes disso e não fazemos tanta atenção às comidas salgadas, durante as visitas a países mais quentes e nos quais se transpira mais. Para quem, como nós, é leigo em fisiologia e medicina, será difícil entender que também se pode adoecer devido à sua falta. Contudo, qualquer residente num país com um regime alimentar normal, jamais carecerá dessa substância.

Nalgumas nações, inclusive na nossa, este tema é de grande actualidade. Com certeza, a sociedade civil deve pressionar os industriais para que reduzam drasticamente o teor de sódio nos seus produtos. Compete porém a cada indivíduo responsabilizar-se pelas suas escolhas. Até certo ponto, não é impossível substituir pouco a pouco o sal por especiarias e outros temperos.

É o que fazemos, embora tenhamos sal no armário da cozinha. Quem sabe, opta pela flor de sal que é abundante em elementos químicos necessários para o bom funcionamento do corpo humano. A melhor vem da Camargue (Sul de França). Também a que é importada do Algarve é de alta qualidade.

De qualquer modo, é conveniente ter em conta o potássio. A pressão arterial de quem come bastantes frutas e legumes ricos deste elemento, é de fato menos sensível ao excesso de sódio do que a de outras pessoas que ingerem a mesma porção, mas em batatas fritas ou bacalhau assado.

Quanto ao açúcar, é assunto que dá pano para mangas. Centros de investigação e imprensa têm divulgado os perigos associados ao seu consumo. A “Nature” e o “British Medical Journal”, duas revistas célebres, publicaram estudos sobre a “toxic truth about sugar” (a verdade tóxica do açúcar). Importantes personalidades do mundo da ciência iniciaram uma cruzada contra o açúcar, declarando que é tão aditivo como o tabaco ou o álcool. Um perigo para o fígados e cérebro que, tal como o emprego de psicotrópicos, devia ser regulamentado. Para não mencionar a obesidade.

Há décadas que as grandes companhias de tabaco combatem o que é evidente: os seus produtos causam uma enorme mortalidade. Agora, são as empresas açucareiras que procedem da mesma forma. Negam o inegável, embora a Organização Mundial da Saúde tenha outra opinião.

Concluímos com uma pergunta. Como é que os portugueses vão preparar uma sardinhada sem sal grosso ou um pudim sem açúcar? Merecemos um pratinho de arroz-doce por termos conseguido aprontar este apontamento antes da meia-noite, hora do Canadá.

Seja como for, o certo é que nos espera um futuro insonso e amargo. Talvez mais saudável.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook