Home > Sociedade > Sindicato e Igreja discutem Segurança Social e precariedade laboral

Sindicato e Igreja discutem Segurança Social e precariedade laboral

 

 

No dia 6 de Março o auditório da Biblioteca Municipal foi o palco de uma conferência organizada pela LOC, Fórum Abel Varzim e ACR, que teve como tema “A Segurança Social como exigência para uma sociedade mais justa e solidária”. Presentes estiveram como conferencistas o Secretário Geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, que apresentou a perspectiva sindical, e o Pe. Jorge Cunha, Director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto, que nos deu a posição da doutrina social da Igreja sobre o tema em debate.      

 

«Perder o emprego é para alguns ficar sem horizontes»

 

A precariedade no trabalho, a sustentabilidade da Segurança Social e a justiça social foram os pilares desta conferência. Manuel Carvalho começou por contextualizar esta situação do ponto vista sociológico dizendo «actualmente o desemprego tem aumentado, por consequência a pobreza e exclusão também, o que é um drama. Perder o emprego é para alguns ficar sem horizontes e sem sentido de vida. É urgente defender a Segurança Social pública para uma justiça social igualitária, assim como não deixar o seu orçamento fragilizar». Já o Papa João Paulo II defendia que «o trabalho constitui uma dimensão fundamental da existência humana sobre a terra».

 

«A Segurança Social tem muitos defeitos, mas é uma excepcional aquisição, que apoiou e sustentou até o Orçamento de Estado em momentos difíceis», considerou o sindicalista que prosseguiu dizendo que «os produtos bancários apresentados pelo sector privado no estrangeiro, (tal como os Planos de Poupança Reforma), que sofreram um grande “buraco”, devido à crise financeira internacional que afectou bancos e companhias de seguros. Esta crise é o resultado de práticas e reformas seguidas e consecutivas e tem os seus responsáveis», referiu Manuel Carvalho. 

 

O sindicalista justificou esta conjuntura pelo fundamentalismo financeiro e realçou que os ganhos dos grandes accionistas são cada menos provenientes da produção de materiais. «Só 18% dos lucros dos accionistas da maior empresa de produção provém dos materiais e o resto advém da especulação. Existe um choque neste modelo e é um problema que vai dar que “coçar” (…) este sistema já não é sustentável», alertou Manuel Carvalho. Aliás, «o objectivo do lucro a todo o custo fez com que as empresas não procurassem ter compromissos com os seus trabalhadores: uma das razões base da precariedade de trabalho e, esta última, torna-se no elemento destruidor da Segurança Social», explicou. Recorda depois que «o elemento mais sólido da Instituição e deste Sistema Social situa-se nesse compromisso entre o capital e o trabalho, (…) distanciar a origem da riqueza da sua distribuição faz com que ela seja menos justa», e rematou «não podemos deixar desvalorizar o trabalho».     

 

Isabel Maia

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook