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O Mistério do Ministério da Dívida Pública

Há muito que se sabe que o Ministério da Dívida Pública é o maior ministério deste país. Tem parecido mistério a muita gente boa, mas ainda bem que aparece alguém a esclarecer as razões de tal aberração.

Foi preciso, recentemente, numa televisão privada, vir Bagão Félix, que foi Ministro das Finanças de outro governo da mesma cor do actual, dizer o que há muito se desconfiava. Disse ele, para quem quis ouvir, que Portugal está a pagar uma taxa juro entre 3 a 4% do empréstimo da Troika ao passo que os nossos vizinhos espanhóis estão a pagar 0,5%.

Nós já sabíamos que não somos todos iguais nesta Europa que deveria ser solidária. Mas diferenças destas não se imaginavam. E tudo isto acontece, certamente, porque os espanhóis souberam negociar e os portugueses, enquanto bons alunos, deixaram-se ir na conversa e por isso o dinheiro nunca mais chega. Assim, não.

Podem continuar a aumentar os impostos como sejam o IRS, a sobretaxa do IRS, a chamada Contribuição Extraordinária de Solidariedade com que os reformados estão a ser brindados, o IVA, o IMI, que com taxas como as que estamos a pagar, as únicas coisas que sobem é a divida, a fome, a miséria e a emigração.

Se tivéssemos um governo que soubesse defender os interesses do país, tudo seria diferente.

Mas também se tivéssemos uma oposição que funcionasse, denunciando escândalos deste tipo, como seria sua obrigação, talvez as coisas fossem diferentes.

Mas vá lá, se o governo não tivesse a sua oposição interna, continuaríamos a viver na ignorância.

Ainda bem que, de vez em quando, há alguém que põe a boca no trombone. Não dá resultados práticos, mas ficamos esclarecidos acerca da origem do mal que nos apoquenta.

Portanto, enquanto a política for esta, escusamos de ficar descansados.

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