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As gorduras engordam e já fermentam!

Continuamos embrulhados nesta coisa dos números e dos cortes cegos, sempre no mesmo sentido. Os que precisam, continuam, obrigados a ajudar a engordar os gordos do costume.

Veja-se essa coisa baptizada de Banco de Fomento, segundo o JN de 14.11.13 de que se transcreve o 1º parágrafo da notícia: “ O Governo aprovou, esta quinta feira, uma resolução que cria a Instituição Financeira de Desenvolvimento, que deverá entrar em funcionamento no final do primeiro semestre de 2014, anunciou o Ministro da Economia.”

Aliás, aquela aprovação aconteceu no seguimento de várias resoluções do Conselho de Ministros, a saber: “ Resolução do Conselho de Ministros n.º 98/2012, de 26 de Novembro” e “Resolução do Conselho de Ministros n.º 39/2013, de 14 de Junho” que fundamentaram e criaram os modelos para tal Instituição Financeira, enquanto entidade responsável pela gestão, designadamente grossista, de instrumentos financeiros de apoio à economia, segundo se pode ler no Relatório do Grupo de Trabalho Interministerial, de Outubro de 2013.

E então, há que meter mãos à obra para que a mesma possa fermentar e desenvolver a sua actividade. Para tanto não há nada melhor do que nomear os respectivos administrados como se pode ver através de documento publicado em Diário da República:
“Assim, ao abrigo do disposto no n.º 10 da Resolução do Conselho de

Ministros n.º 73/2013, de 14 de novembro determino o seguinte:

1— É autorizada a opção pelo valor correspondente à remuneração

média dos últimos três anos do lugar de origem para:

a) O Presidente da comissão instaladora, Paulo Azevedo Pereira da

Silva, com limite de 13.500,00 € mensais;

b) A Vogal, Carla Maria de Castro Chousal, que fica a auferir uma

remuneração mensal no valor de 12.515,44€;

c) O Vogal, Nuno Miguel de Ferreira Soares, que fica a auferir uma

remuneração mensal no valor de 8.034,98€.

2 – Não são devidas despesas de representação aos membros da

comissão instaladora supra identificados.

3 — O presente despacho produz efeitos desde 8 de janeiro de 2014.

14 de março de 2014.

A Ministra de Estado e das Finanças,

Maria Luís Casanova Morgado Dias de Albuquerque.

(Diário da República, 2.ª série — N.º 57 — 21 de março de 2014)”

Independentemente, aliás como se vem tornando vulgar, que certas nomeações sejam feitas com efeitos retroactivos, como é este caso, é sempre bom fazerem-se bem as contas. Estes três senhores custam às contas do Estado, por ano, uma módica quantia superior a 500.000 Euros. Porém, como não irão trabalhar sozinhos, como seria impensável, resta-nos saber quantos ajudantes de campo e assessores estes senhores já terão contratado sem sabermos bem quanto estarão, ou irão ganhar, esses ajudantes, mas certamente vão receber muitíssimo mais do que o salário mínimo nacional. Serão números interessantes a juntar aos tais 500.000 que os três recebem por anos. E trabalho feito? Nada sabemos. Mas sabemos que o final do 1º semestre de 2014 está no fim e esse tal banco para apoiar a economia do País ainda não deu sinais de vida.

E assim vai o nosso dinheirinho. Se víssemos bons exemplos, se calhar até aguentaríamos algumas trapalhadas com que nos vão brindando. Mas assim é demais. Por exemplo, os senhores de S. Bento, com o orçamento que têm, alguma vez sentiram dificuldades de qualquer aspecto? Vejam-se os carros daqueles senhores, vejam-se os restaurantes que ali têm por meia dúzia de tostões e quem é que paga isso tudo? Os mesmos do costume. E em Belém, há alguma dificuldade financeira ou alguma austeridade? Nem pensar. E nos ministérios? A mesma coisa. Ainda há ias um secretário de estado que já tinha três adjuntos, sete técnicos especialistas, duas secretárias pessoais, chefe de gabinete, dez técnicos administrativos, três técnicos auxiliares e três motoristas, nomeou um “boy” do PSD a quem vai pagar como Adjunto ou seja,   mais de  três mil euros, mais do que ganha director de serviços, ou, como escreve no Expresso João Garcia, “mais que juiz,   que coronel, o dobro de professor’. Fernanda Cachão ironiza que “afinal há dinheiro” desde que seja “money for the boys“.

Resumindo e concluindo, o fermento ajuda a fermentar muita coisa, mas esta do caso do Banco do Fomento é mais que evidente. É fermento a mais. E é só mais um caso de entre muitos. O problema é que este governo, com as bênçãos de Belém, vai fazendo o que melhor entende porque as oposições não se sabem entender. Alguém tem dúvidas? Os resultados estão bem à vista. As gorduras cada vez estão mais gordas. Mas cuidado que gordura a mais pode ser perigosa.

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