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Linhas de comboio ao abandono

É do conhecimento geral que nas últimas décadas o caminho-de-ferro foi pouco mais do que abandonado ao passo que as auto-estradas cresceram por todo o lado, mesmo onde não eram precisas e onde ninguém anda. A gorda factura é que está a ser paga todos os dias.

Por tudo isto temos uma rede ferroviária em mau estado, com falta de modernização e até de manutenção, para além das inúmeras linhas que foram fechando.

Mas há casos e casos.

Antigamente, há cerca de trinta anos, a Linha do Oeste estava funcional e servia sempre de alternativa à Linha do Norte quando a mesma ficava inoperacional, mantendo-se assim as ligações Norte-sul e vice-versa. Hoje isso não pode acontecer porque a tal Linha do Oeste está como está.

Antigamente, há cerca de trinta anos, a Linha da Beira Baixa estava funcional e servia sempre de alternativa à Linha da Beira Alta quando a mesma ficava inoperacional, mantendo-se assim as ligações internacionais a funcionar. Hoje isso não pode acontecer na medida em que a Linha da Beira Baixa está cortada entre a Covilhã e a Guarda, há uma série de anos, prevendo-se agora que a mesma venha a ser recuperada nos próximos anos.

Mas é exactamente nesta altura que a Linha da Beira Baixa está a fazer falta devido ao acidente grave que aconteceu na Linha da Beira Alta quando um vagão de um comboio, privado, de mercadorias, descarrilou no passado dia 15 e destruiu mais de seis quilómetros de linha que levam o seu tempo a reparar. Por esse motivo, o serviço nacional está a sofrer transbordos entre Coimbra e Mortágua e entre a Pampilhosa e Mortágua, ao passo que o serviço internacional está a sofrer transbordos entre Coimbra e Vilar Formoso e no sentido inverso, entre Vilar Formoso e Lisboa, tudo por autocarro, com os custos e prejuízos inerentes a estas operações. Repetindo, para acordar consciências, se a Linha da Beira Baixa estivesse a funcionar como devia estar, tudo estava resolvido. Assim é o que temos e o pior de tudo é que ninguém é responsabilizado, ninguém é acusado de incompetência ou má fé pela forma como ao longo do tempo têm sido tomadas decisões que só prejudicam o erário público, já de si tão depauperado, por tantas trapalhadas de toda a ordem.

Mas um dia destes vai acontecer bem pior. É tudo uma questão de tempo. Quando as barreiras de Santarém caírem, a Linha do Norte é interrompida e o trânsito ferroviário entre o Sul e o Norte fica interrompido o tempo que calhar porque a tal Linha do Oeste não está em condições de servir de alternativa à Linha do Norte e também a variante a Santarém, que há anos está projectada, também nunca saiu da gaveta.

É por estas e por outras que este país está como está. E ninguém é responsabilizado pelas asneiras que se vão cometendo nem condenado a pagar do seu bolso os prejuízos que vai causando à causa pública.

Diz-se para aí que a reparação da Linha da Beira Alta já está em curso e que a mesma poderá abrir ao trânsito ferroviário, talvez na segunda-feira dia 19,mas com restrições, nomeadamente com limitações de velocidades de 10 a 30 Kms/hora no tal troço de seis quilómetros. É assim que um país pode vencer a batalha da competitividade? Como é que um país pode entrar na linha se as suas linhas ferroviárias são o que são?

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