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Em busca do teu sorriso

Retrocedeu à velha cidade de encantos e profecias onde grandes torres pintadas de cinzento pincelam o céu azul. Ouve-se o frenesim danado das manhãs frescas com cheiro a poeiras saturadas da fábrica de cimento. Nas ruas a multidão sacode os pingos teimosos de chuva na primavera florida. Ao lado o rio Tejo agita o cacilheiro que ruma apinhado de gente. Desce as escadas para o fundo do mundo. As viagens são rápidas naquele meio de transporte que a leva onde quiser. Perde-se numa montra apelativa uns minutos que se perdem no ponteiro do relógio. Num impulso para a realidade abre os olhos apressadamente e vê-a. Uma mulher amargurada, sentada na dureza do chão cospe cansaço e dor.

Ela sente um aperto no coração, afaga-lhe o ombro fraco e deixa cair uma moeda, escutando o choro de lamentos duma mulher que foi mãe de oito filhos. Cuidou deles, educando-os. Passou fome, miséria, sofrimento, mas nada podia faltar aos seus meninos. Esposa dum homem doente, fora ela a guia da casa, a protetora, mãe coragem.

Num dia de infortúnio caiu num hospital em coma. Acordou passado meses e nunca mais a vieram buscar. A segurança social arranjou-lhe uma casa bem pequenina, mas que dá para ela. Uma reforma parca que mal chega para colmatar as receitas de medicamentos e demais despesas. Estende a mão engelhada nas escadas do metro. Todos a abandonaram ou esqueceram-se” dela.

Diariamente percorre o tempo passado em pensamentos e saudades. Em cada criança que passa, recorda os filhos e os netos que deixaram de lhe chamar mãe e avó. Acalenta ainda a esperança que um dia alguém lhe dê a mão e lhe diga: – “Vem comigo. Amo-te muito minha mãe.”

Feliz dia da mãe para todos

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