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Se eu fosse muito, muito rica…

Ultimamente muito se tem falado sobre este tema: se os milionários devem ou não ser taxados para ajudar a vencer a crise.

Primeiro queria saber a que crises se referem: Moral? Social? Económica? Financeira? Este é o primeiro ponto.

Pelos discursos que nos inundam parece que todos só pensam na crise económica: a vida está cara, não há empregos, o nosso deficit é enorme, o desemprego sobe em flecha, os cortes em áreas sensíveis como a saúde e a educação são brutais, a classe média está a desaparecer diluída, nuns casos na classe rica por processos obscuros (porque quem leite vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem!), outros na pobreza sendo forçados a recorrer a ajudas das instituições religiosas, católicas e não só, ou a particulares de boa vontade.

Ora eu não sou rica de dinheiro – tenho, a graça de Deus, uma saúde razoável e não sou exigente. Mas, que faria eu se fosse rica, se tivesse muito dinheiro? Vou só referir-me ao caso económico.

1º Não «oferecia» dinheiro ao Estado, mas procurava fazê-lo render conforme disse entrevista a um canal de TV, o Senhor D. Manuel Clemente (na altura Bispo do Porto): (cito de memória) ajudava, investindo em empresas produtivas, que gerassem postos de trabalho, sem esquecer nunca que a riqueza tem uma função social.

2º Procurava que nas minhas empresas acabasse a dicotomia agressiva entre empregadores e empregados, mas passaria a ter empresários e colaboradores. Se estes fossem remunerados no seu trabalho, não só em dinheiro, mas também em consideração – sentindo que estavam a trabalhar em algo «seu», e que se precisam dos empresários estes precisam igualmente dos colaboradores, a produtividade crescia. Haveria possibilidade de uma repartição dos lucros, o que empenhava todos ainda mais.

3º Para combater o absentismo justificado com os filhos, os transportes, a vida de casa, procurava que anexada à empresa existisse ou um Infantário para os filhos de quem lá trabalha (empresários e colaboradores), um horário flexível que permitisse a muitos poder partilhar o almoço em família, e porque não um bairro de habitação social, como foi apanágio nos anos 40/50 na zona do Porto, onde vivo.

4ª Disse que não oferecia dinheiro ao Estado, mas ajudava os membros do governo e seus afins a tirar a carta de condução afim de virem para o emprego a guiar o carro próprio e utilitário, que anda como os topos de gama. Os mais que muitos motoristas não ficavam no desemprego – os membros do governo compravam, do seu ordenado, os topos de gama para levar a família ao supermercado, ao cabeleireiro, ao colégio, ao ginásio, etc., contratando, do seu ordenado, os referidos motoristas, que deixariam de ser «funcionários do Estado» pagos por todos nós.

5º Acabava com as Fundações que não tivessem fins de solidariedade e só deixava as que não têm fins lucrativos ou que empregam os seus lucros para promover investigação científica a favor da melhoria de vida de muitos cidadãos (estou a pensar na Fundação Champalimaud ou Francisco Manuel dos Santos). Abolia, porém as Fundações só para perpetuar o nome de quem não o merece, ou que serve para o que se costuma chamar «lavagem de dinheiro».

6º Ajudava as IPSS e as Misericórdias, que têm feito um trabalho silencioso e abnegado e que são sistematicamente atacadas pelas entidades reguladoras.

7º Ajudava as Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, que fornecem, gratuitamente, às crianças do pré-escolar e não só, o almoço (por vezes a única refeição do dia) para poderem continuar com esse serviço, para o qual estão a ficar sem dinheiro, porque o Estado é o pior pagador.

E só queria acrescentar uma pequena coisa: tudo o que possa parecer uma situação actual e verdadeira, é pura coincidência.

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