Home > Colaboradores > António Mário Lopes dos Santos > O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª Metade do século XIX – 11 1870-1871

O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª Metade do século XIX – 11 1870-1871

O Governo ditatorial de Saldanha dura pouco mais de três meses (19/5/1870-29/8/1870). Governo suprapartidário, toma medidas importantes, mas que não vão adiante. A criação do Ministério da Instrução, a reforma administrativa descentralizada do ministro do reino José Dias Ferreira. O da Instrução, D.António da Costa de Sousa Macedo, na sua reforma da instrução primária, de 16 de Agosto, reconhece a sua fragilidade «com uma população de 4.200.000 habitantes no continente e com 4.000 freguesias, tem Portugal apenas (segundo os últimos dados) 2.300 escolas oficiais e destas só 350 do sexo feminino».

Só que a acção partidária conduziu a 21 de Julho, a dissolução da Câmara dos Deputados e a 29 de Agosto, à demissão de Saldanha, despachado para embaixador em Londres, e à formação dum governo reformista com apoio avilista, presidido por Sá da Bandeira (29/8/1870 -29/10/1870), onde o ministro da instrução é o Bispo de Viseu, António Alves Martins. Só que, sem possibilidade de gerir a mudança dos cargos de governadores civis, administradores do concelho, regedores de freguesias, pressionado pelas eleições de deputados, realizadas a 18 de Setembro, conduzem a um novo governo, entre avilistas e reformistas, presidido por António José de Ávila ( 19/19/1870 -13/9/1871), até ao regresso de Fontes Pereira de Melo e dos regeneradores ao poder.

É neste período que a nossa crónica se entronca. Devido à sua extensão, optámos pela sua divisão em dois artigos

As relações locais com o deputado do círculo, António Rodrigues Sampaio, levam a Câmara a felicitá-lo pela sua ascensão a ministro do reino.

No período em análise, a Câmara Municipal, presidida pelo bacharel João Paulo da Silva, vai dirigir a sua gestão na resolução de cinco objectivos essenciais: a construção de novas estradas; o conflito com o concelho da Golegã por causa da Charneca da Meia Via, que chegou, sob protesto, a ser incluída naquele concelho; o lançamento da construção da escola do ensino primário elementar e complementar, a Escola do Conde de Ferreira; a criação dum novo liceu, na Casa da Enfermaria; novas propostas de escolas do ensino primário.

O subsídio para a escola do Conde de Ferreira, que esta Câmara recuperara da desistência do executivo anterior, fora em Julho último, como vimos noutro artigo, aprovado e o projecto entregue a José Carlos da Lara Soverard

A mudança governamental, na gestão do ministério da instrução do bispo de Viseu, no último governo de Sá da Bandeira, leva o executivo, dentro do espírito da nova reforma educativa, de carárter  descentralizdo, a pedir à Câmara de Deputados a ampliação da Lei de 3 de Abril de 1839, para na Enfermaria se fazer um liceu, acabando-se com o litígio entra a Câmara, o Ministério da Fazenda e o da Guerra, empenhando nisso o deputado pelo círculo, A. R. Sampaio ,projecto que foi apresentado em Cortes, a 20 de Outubro .

No ano seguinte, logo em Janeiro, a 12, a Câmara delibera o local definitivo para a Escola do Conde de Ferreira: o largo do Quinchoso, que tem a área precisa, além de estar num sítio perfeito, central.  A 2 de Março, solicita-se aos testamenteiros o legado de 1:220$000, enviando-lhes cópia da acta em que aceitou aquele e também o acórdão do conselho do distrito, que aprovou a deliberação camarária.  A 22 de Abril, o edital abre concurso para a respectiva construção, marcando o dia 18 de Maio para o mesmo. Mas houve a necessidade dum orçamento suplementar para o efeito, no valor de 1.563.500, em que se previa para a construção e mobília 1.550$000 réis, e 13$500 para pagamento a João de Barros, engenheiro civil do Distrito, pela confecção do Orçamento. No dia indicado, procede-se a arrematação, tendo sido postas de lado 5 propostas que não correspondiam ao solicitado. Foi arrematada a obra ao pedreiro Manuel Gomes, da Mata, pelo preço de 1.078$000 réis, ficando como fiador Luis António da Clara, pedreiro e proprietário, da vila.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook