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Isto anda tudo ligado!

Quando as grandessíssimas fortunas aumentam assustadoramente porque a miséria aumenta na mesma proporção, quando o regresso da escravatura espreita face ao aumento desenfreado do desemprego, quando a classe média é trucidada, quando a economia regride e as fortunas fabulosas aumentam todos os dias, algo vai mal no reino da Dinamarca, porque isto anda tudo ligado.

Veja-se esta pérola de João César das Neves, segundo Noticias ao Minuto de 17/11/13: “Uma das piores coisas que estão a acontecer em Portugal é haver uma data de gente a falar de pobres que não são pobres e que, em nome dos pobres, querem defender o seu. (…) A maior parte dos pensionistas não são pobres e estão a fingir que são pobres.” E mais à frente, “João César das Neves defendeu, em entrevista ao Diário de Notícias, os cortes nos salários e nas pensões, sublinhando que em Portugal há muita gente que fala em nome da classe baixa mas que, na realidade, não são pobres e “querem defender o seu”.

O que é que havemos de dizer disto tudo? Nada. E ele se tivesse estado calado, não tinha agredido tanta gente que não se pode defender. Aliás, se gente desta fosse obrigada a viver, durante seis meses, com o Salário Mínimo Nacional, sem recurso às poupanças que deve ter, penso que depois o discurso seria outro. Mas era o Salário Mínimo Nacional de Portugal e não o da Irlanda de que tanta gente fala e se esquece de dizer que o Salário Mínimo naquele país ronda os 1.500 euros mensais.

Agora quanto ao Ambiente, diria melhor quanto ao mau ambiente que é provocado especialmente pelos grandes países industrializados, leiam-se os mercados, quando os ciclones, os tufões, os tornados e outros sinais de saturação da natureza começam a proliferar um pouco por todo o mundo, há algo que não vai bem e, sabendo-se o porquê, e nada se faz para contrariar os ataques à natureza, algo vai mal nesta aldeia global.

Os grandes países poluidores, capitalistas como os Estados Unidos, os emergentes como a Índia com a sua industria pesada sem regras, a Rússia com a sua imensidão territorial e as suas indústrias pouco acauteladas, o Brasil com a destruição progressiva do grande pulmão do hemisfério sul – a Amazónia -, a China com as suas cidades irrespiráveis fruto da sua indústria maquiavélica, algo vai mal nesta aldeia global. Para dar mais força a estas palavras, permito-me transcrever do artigo de António Branquinho Pequeno – “O encontro de Estocolmo e as alterações climáticas” – O Ribatejo de 03 outubro 2013, “A sociedade industrial não quer efectivamente pagar a factura climática, como pôs em evidência o historiador Naomi Oreskes.”

E se alguém ainda tinha dúvidas acerca da maldade desta sociedade agiota e exploradora, aquela frase é perfeitamente esclarecedora para quem ainda tivesse alguma dúvida.

E depois admiram-se, se é que se admiram, que a natureza tenha passado a dar sinais mais frequentes dos ataques de que está a ser alvo desnorteadamente.

Isto anda tudo ligado. É a exploração desenfreada do homem pelo homem, é a exploração desenfreada da mãe natureza que se vai que se vai queixando desses ataques ignóbeis e no final de contas é a concentração da riqueza na mão de meia dúzia, à força da proliferação da pobreza e da miséria de milhares de milhões e do esquecimento alarve do cumprimento das regras para a defesa do planeta. Para eles só lhes interessa o dinheiro.

E ninguém faz nada para contrariar este estado de coisas.

Até o Papa Francisco, paladino do amor cristão e da defesa dos mais fracos e oprimidos, parece que começa a ser ameaçado porque está determinado a que algo mude neste planeta. Mas cuidado. Os detentores do poder de manobrar esta aldeia, está mais que visto que não gostam de paladinos da defesa dos direitos do homem.

Já repararam quem é que morreu na tragédia de Nova Orleães, na tragédia do Haiti, e agora na tragédia das Filipinas? São sempre os mesmos que desaparecem aos milhares. São sempre as classes mais desfavorecidas e fragilizadas porque os grandes senhores, esses têm os seus palácios, construídos pelos escravos, que se vão aguentando com as intempéries que vão aparecendo. Vão-se aguentando, por enquanto. Mas se a mãe natureza continuar a ser atacada todos os dias, as suas respostas cada vez serão mais violentas e esses palácios também um dia serão destruídos e arrasados como se fossem um simples baralho de cartas.

Continuem pois com a saga destruidora das classes trabalhadoras com vistas ao regresso da escravatura e do trabalho sem direitos, que um dia vão ter a resposta adequada.

Continuem pois com a saga destruidora do planeta, que um dia também serão destruídos. Quando acabar o ar e a água, a vida acabará para todos, mas acabará mesmo, porque isto anda tudo ligado. E se não houver emendas rápidas, o fim poderá não estar muito longe. E eles, que também irão – aliás estão a preparar as nossas cartas de chamada, mas também as deles – até podem levar muitos maços de notas grandes e até livros de cheques, que não lhes servirão de nada.

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