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No Dia Internacional da Mulher

 

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Na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, o jornal “O Almonda” foi ao encontro de cinco mulheres com profissões distintas, de modo a conhecer a perspectiva de cada uma delas sobre o que é ser mulher nos nossos dias.

 

Este dia comemorativo celebra os feitos económicos, políticos e sociais alcançados pela mulher. A ideia da existência de um dia internacional foi inicialmente apresentada na viragem para o século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão económica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho.

 

Questões Dia Da Mulher

 

1.Como se caracteriza enquanto mulher? Mais conservadora ou moderna? Porquê?

2. Na profissão/ vocação que exerce, entende como uma vantagem o facto de ser mulher? Porquê?

3. Sente que a discriminação com base no sexo seja, ainda, um fenómeno na ordem do dia em Portugal?

4. Da mulher do século XXI espera-se uma mãe, uma esposa e uma amiga, mas cada vez mais também uma profissional competente e disponível. Sente esse apelo? Como faz a gestão do seu tempo?

5. Que consequências poderão resultar dessa exigência? A mulher torna-se mais polivalente e mais capaz de adaptação do que homem? Os homens passam a partilhar responsabilidades no lar, caminhando a sociedade para um reequilíbrio? Ou, por outro lado, começam-se a verificar brechas na nossa sociedade fruto de uma maior dispersão da atenção da mulher?

 

 

Irmã Alice, Mosteiro de São Bento em Torres Novas,

 

1. Não me considero conservadora, mas também não sou das pessoas mais modernas. Vou acompanhando os tempos. Não podemos ser oito nem oitenta, gosto de estar no ponto intermédio. Tento seguir as mudanças e as alterações do papel da mulher, ponderando os acontecimentos, mas não entrando logo na onda de choque.

2. Gosto de ser mulher, sinto-me bem. Nunca aspirei ser homem nem diferente daquilo que sou. Na minha vocação como Religiosa, também exerço o papel mais afectivo da mulher: ser mãe. Eu não sou mãe biológica, mas sinto-me uma mãe afectiva e espiritual, o que dá sentido à minha vida como mulher. O carinho, a sensibilidade e os sentimentos maternos são colocados ao dispor de todos com quem nós vivemos, ajudámos e acompanhámos.

3. Ainda existe, mas não tanto como antigamente. Outrora não se falava em discriminação porque ainda não estávamos conscientes disso. Fazia parte da cultura patriarcal e ainda faz. Esta necessidade e mudança para a igualdade veio a tornar-se mais consciente nas últimas décadas e vai progredindo muito lentamente, uma vez, que fazendo parte da cultura, leva o seu tempo.

4. Sim, hoje em dia a mulher tem que aprender a distribuir muito bem o seu tempo pelas tarefas que lhe são impostas e exigências da sociedade. Adquirindo mais independência pelo trabalho profissional, a mulher ficou também muito mais sobrecarregada, principalmente se o homem não colabora nos trabalhos domésticos e outros, referentes a toda a família. Porém, elas não se podem deixar dominar por fardos demasiado pesados que lhes são colocados sobre os ombros. A mulher, antes de tudo, é uma pessoa humana que necessita de liberdade, dignidade, lazer e descanso para o seu próprio equilíbrio. Concretamente, no meu caso, tenho de gerir o meu tempo entre o horário de vida comunitária, as solicitações do trabalho pastoral, assim como a relação de intimidade com Jesus Cristo.

5. Penso que a polivalência e a adaptação não se caracterizam por se ser homem ou mulher, mas sim pela educação, hábitos familiares e toda a formação obtida ao longo da vida. Por exemplo, ao darmos brinquedos a uma menina apenas relacionados com o lar ou lida de casa, e aos rapazes carros e outros relacionados com o exterior, já se está a incutir, sem dar conta, uma forma de estar diferente para cada um deles, diferenciando à partida aquelas crianças pelo sexo. Por isso, eu gostava de deixar um desafio aos pais, para começarem a estabelecer este reequilíbrio de igualdade com os seus filhos e filhas, desde pequeninos, proporcionando uma educação igual para ambos, assim como na aprendizagem das tarefas domésticas. Neste aspecto, é necessário criar uma nova mentalidade.

 

Anabela Martins, administrativa na Segurança Social

 

1.     Sou moderna mas sem exageros. Não gosto muito de exibicionismo e ainda me rejo por valores tradicionais, principalmente o da Família.

2.     Na profissão que exerço é indiferente.

3.     É claro e mais que evidente que sim. As mulheres quando se apresentam em pé de igualdade com os homens são sempre mais pressionadas ou olhadas de lado, sobretudo quando é uma boa profissional num meio essencialmente composto por homens. Aliás, quando uma mulher chega ao topo de uma empresa, questiona-se sempre como é que lá chegou. A sociedade ainda é muito machista.

4.     De facto, hoje em dia, com a mulher no mercado de trabalho, acabámos por sobrepor todas estas funções, muito embora, já haja casais a partilhar entre si as tarefas domésticas, a educação e os cuidados com os filhos. A gestão do tempo faz-se com a disponibilidade de cada um, entre marido e mulher.

5.     Neste momento, já os homens mais novos estão sensíveis para partilhar as tarefas que estão associadas à família e à casa. A emancipação da mulher não passa pelos exageros da liberdade sexual passa, sim, por terem as mesmas oportunidades que os homens, quer no mundo do trabalho quer na sociedade em geral.

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