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Mais trapalhadas

Já começamos a estar habituados. Mas não gostamos. Não precisávamos destas trapalhadas. Merecíamos ser tratados de outra forma. Mas o que é que se pode esperar desta gente?

Quando um partido da coligação, o mais pequeno, se torna ainda mais pequeno face às sondagens – parece que 3% – levanta garimpa, depois do seu líder se tornar irrevogável, e reforça-se no governo do país, como se fosse a tábua de salvação do mesmo. Quem é que percebe isto?

Depois desse tal líder, ter dito cobras e lagartos da nova Ministras das Finanças, eis que o senhor agora vai negociar com a troika a reforma do estado e até a matéria económica, e lá terão que encontrar consensos. Não a podia ver, mas já falam e sorriem e tudo. Alguém percebe isto?

Mas a senhora não foi só contestada por ele. Meditemos nas palavras dos sociais-democratas Rui Rio e de António Capucho. O primeiro disse do partido dele o que Maomé não disse do toucinho e Capucho também não se ficou. Que dizer mais? Se eles não se entendem, teríamos que ser nós a entender estas coisas? Como?

Mas a seguir vem um novo Secretário de Estado que foi vendedor de swaps por conta dum empório banqueiro americano – só podia ser – nomeado pela dita Ministra, cuja contestação não demorou a ser feita pelos seus amigos de partido. Ouvir-se o que se ouviu de Marques Mendes até parecia a oposição radical a falar. Na sua opinião, segundo Noticias ao Minuto, Pais Jorge é um “abcesso” que “vai minar a credibilidade do Governo”.

Segundo a TSF, António Capucho, “militante de base do PSD considera que a equipa das Finanças foi uma escolha «desastrosa» para o país e que a permanência da mesma em funções deixa o Governo numa posição muito frágil. António Capucho contesta esta equipa tendo em conta as ligações aos negócios das Parcerias Público Privadas (PPP) e aos contratos ‘swap’.”

Capucho, segundo o Diário Económico disse ainda: “O Sr. primeiro-ministro teve uma óptima oportunidade não apenas para substituir este elemento mas toda a equipa das finanças, que está fragilizadíssima”. Que dizer mais? Nada.

Mas também apareceu nesta remodelação um ministro de cabelos brancos, um dos fundadores do PPD/PSD, para dar “credibilidade” ao governo. Mas afinal de contas, os rabos de palha afinal são muitos. Para além de ter sido alto quadro da SLN, a tal que era dona do BPN, e se ter “esquecido” de referir no seu curriculum essa função, acabou por se saber que também beneficiou de vantagens na compra e venda posterior, aos mesmos, de acções daquele grupo, de má memória, com lucros surrealistas de 150%, como aliás outras figuras de primeiro plano nacional também beneficiaram. Tudo “normal”. Mas a sua passagem pela FLAD também não deixou de ser referida bem como as dúvidas que os seus amigos americanos levantaram acerca da sua gestão daquela casa. Mas não há problemas!

Até o Presidente português do banco angolano que herdou aquele BPN do regime, também figura grada do PPD/PSD, disse o que entendeu acerca de algumas destas trapalhadas. E não foi de intrigas.

Entretanto, e disso ninguém duvida, os disparates têm que ser pagos. Mas acertar as contas com os glutões das Parcerias Público Privadas, com a rapaziada que se está a encher com as rendas energéticas e com os custos das energias que Mira Amaral tanto critica, com os criadores e coveiros do BPN que andam por aí à solta, etc., quem é que pensa nisso? Se eles nem se importam em combater a grande economia paralela, nem muito menos as grandes fugas ao fico e à Segurança Social. Que dizer? Para pagar cá estão os trabalhadores, públicos e privados, bem como os reformados, sejam eles da Segurança Social ou do Estado. Esses é que estão obrigados a pagar tudo o que os ditos cujos estragaram, usurparam e delapidaram. Mais nada!

Agora andam a confundir tudo isto com a promessa de investimento e crescimento. Mas quem é que vai investir se não há poder de compra, se não há consumo e se o desemprego cresce todos os dias? Mas vão baixar bastante o IRC, compensando assim o facto de não terem conseguido implantar a redução da TSU o ano passado. Deveriam baixar o IRS e o IVA para que o tal consumo começasse a crescer e a fomentar o investimento e o emprego. Isso é que seria razoável. Mas qual quê?

Que nos valha Nossa Senhora do Resgate, venerada na ermida do mesmo nome, em Lisboa, aos Anjos, mas também reconhecida no Brasil.

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