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O irrevogável, revogou. O obstinado, cedeu!

A semana politiqueira que passou, teve de tudo quanto se podia imaginar, de pior.

Os rumores de desentendimentos entre a coligação eram muitos e já antigos. A obstinação de Passos e as palavras e os silêncios de Portas eram mais do que elucidativos. Uns verdadeiros artistas

A semana começou com o pedido de demissão do Ministro Vítor Gaspar, que assumiu os seus erros e, veja-se bem, manifestou as suas grandes preocupações com o colossal nível de desemprego em geral e em especial com o desemprego jovem que atinge percentagens nunca antes vistas. Claro que toda a gente sabia disso e ele lá acabou por compreender que a razão não estava do lado dele, se é que compreendeu. Disse também que a fase de investimento tem que ser posta em prática, para que o país não soçobre, digo eu, mas que não se sentia em condições para assegurar os seus contributos com esse fim. Toda a gente sabia, que com a carga fiscal colossal existente, a economia todos os dias regride e o desemprego aumenta. Mas pronto. Ele demorou tempo, mas lá acabou por perceber que andava com o passo trocado, se é que percebeu mesmo. Mas nós não nos esquecemos que eles quiseram ir para além da troika, custasse o que custasse. E o resultado mais que esperado, está à vista.

Estes senhores que andaram dois anos a nacionalizar subsídios de férias e de natal de quem trabalha e de quem está reformado – as pensões são um direito de propriedade inalienável -e a aumentar-lhe a carga fiscal com impostos e taxas de tudo e mais alguma coisa para que os seus amigos, deles, os das Parcerias Público Privadas, das rendas energéticas, da economia paralela de grande escala, enfim daquelas grandes empresas que pagam os impostos lá fora porque são patriotas, continuem a ser servidos à mesa do orçamento.

E depois montam este espectáculo todo. Uma autêntica tragicomédia bem encenada.

Depressa foi indigitada a substituta, a Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, que tinha seguido os passos do ministro demissionário e que estaria nas melhores condições para lhe suceder, segundo dizem os alemães.

Mas aí aconteceu o imprevisto, ou previsto, como se quiser analisar a situação. Paulo Portas, logo que tomou conhecimento dessa decisão, bateu com a porta e demitiu-se de forma irrevogável, como escreveu. E isto aconteceu poucas horas antes da nova Ministra tomar posse. Uma confusão geral.

A senhora e os seus secretários de estado, tomaram mesmo posse, mas nada ficou sossegado, bem pelo contrário.

Passo Coelho entretanto falou ao País e disse que não tinha aceitado o pedido de demissão de Portas. As reuniões foram-se sucedendo. Em Belém, em S. Bento e quem sabe mais onde.

E no final da tarde de Sábado, num hotel de luxo, como se o Estado continuasse a viver à grande e não tivesse um gabinete para a cena, Passos Coelho falou de novo ao País, ao lado de Portas, que em princípio também seria para falar mas, sabe-se lá porquê, manteve-se calado e hirto, anunciando algumas mudanças no Governo, a passagem de Paulo Portas a Vice-primeiro-ministro com os pelouros da Coordenação Económica, da Troika e da Reforma do Estado e que este programa seria apresentado a Belém para se pronunciar sobre o mesmo.

Entretanto, estava marcado um Congresso Extraordinário do CDS-PP para este fim-de-semana. Mas, certamente, pelas confusões havidas, o mesmo foi adiado por 15 dias.

Face a tudo isto, e porque não é possível fazerem-se previsões antecipadas, quando a Troika estará a chegar a Portugal para a 8ª revisão, já no dia 15, e quando o Congresso está marcado para o fim-de-semana de 19 de Julho, o melhor é aguardarmos pelos resultados do Congresso porque parece que agora quem manda mesmo é o Paulo Portas ou o seu CDS.

De qualquer forma, regista-se que a tal irrevogabilidade de Portas foi mesmo revogada e por isso ter-lhe-ão sido oferecidas vantagens nunca antes imaginadas, como também a obstinação de Passos cedeu imenso com a promessa de pastas importantes ao seu mais que fiel parceiro de coligação. Com isto não se quer dizer que um tenha ganho esta batalha de confusões e o outro a tenha perdido. Mas uma coisa é certa: – Quem está a perder com todas estas trapalhadas é o País e especialmente as classes mais desfavorecidas que estão exaustas de tanto ataque e cansadas de tanta trapalhada.

Porém, o melhor será aguardarmos pelos resultados do Congresso porque até lá, dados os exemplos recentes, muito poderá vir a acontecer, sem ser previsível. Eleições antecipadas, nem pensar. Isso é que eles não querem. Se calhar têm alguma desconfiança a modos que certa, que isso não lhes iria correr de feição. Aguardemos os resultados.

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