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Hortelã no copo e no prato

Ainda não conseguimos tempo para ler, com a devida atenção, as últimas edições dos dois semanários que se publicam na cidade. Como é hábito, o “Jornal Torrejano” preenche algumas lacunas na informação política local. Mas foi n’O Almonda, mais precisamente num artigo de Tiago Gonçalves Cabeleira sobre a hortelã-pimenta, que encontrámos inspiração para as linhas de hoje.

Raríssimos serão os leitores que não conheçam esta planta aromática. Muitos a cultivam num canto do quintal ou, quiçá, em vasos de barro. Se a memória não nos atraiçoa, é limitada a variedade deste tempero existente na nossa região.

Sentados no jardim da casa, a meio caminho na correcção de uma centena de exames, julgámos por bem que não seria essa tarefa que nos impediria de aproveitar uma perfeita tarde de verão. Com o astro-rei a bater em cheio no pára-sol, mudámos para a sombra umas rosinhas que nos sorriem em cima da mesa e, para manter o cérebro fresco, bebericamos uma infusão de dois tipos de “mentha”.

Com efeito, este ano plantámos um número de espécies de que fazem parte a “spearmint” (hortelã comum) e a “peppermint” (hortelã-pimenta), mas também os poejos que crescem num canteiro, aqui ao alcance da mão. Como preparar esta bebida? Simplesmente apanhar um punhado de folhas que se deitam em meio litro de água a ferver e a que se acrescenta uma mão-cheia de cubos de gelo. É saudável e refrescante. Experimentem, em vez de Coca-Cola ou outros refrigerantes que desgastam a saúde e a algibeira.

É uma planta rica em vitamina A, cálcio e potássio. Na farmacopeia tradicional, é utilizada para facilitar a digestão e acalmar o estômago. Um dos componentes, o mentol, é um admirável descongestionante e expectorante. Alivia a tosse e, além de servir como condimento e sob forma de chá, também aprendemos a comê-la como vegetal.

Sim, a “mentha spicata” (spearmint) que pensamos ser a mesma espécie encontrada nas casas portuguesas, pode ser comida como verdura. Estamos a pensar, por exemplo, nos “crostini de morango com hortelã”. Uma delícia, muito fácil de preparar.

Apesar de terem viajado mais do que deviam, temos durante quase todo o ano excelentes morangos vindos da Califórnia (em Portugal, vêm sobretudo da Andaluzia). Ora bem, recorramos a estes frutos para preparar uma entrada fora do comum.

Aqui vai a receita para quem desejar fazer a experiência. Cortamos ao meio 300 g de morangos que misturamos com hortelã e pimenta-preta num pirex. Num pequeno tacho, fazemos fervilhar a lume brando meia chávena de vinagre de arroz, um pouco de água, uma colher de sopa de mel e uma pitada de sal. Deitamos em seguida este molho sobre os morangos e deixamos arrefecer durante cerca de uma hora. Ainda é melhor, se ficarem de um dia para outro no frigorífico.

No momento de servir, tostam-se ou fritam-se, por um minuto e a baixa temperatura, fatias de pão tipo baguete. Retiram-se então os morangos do molho em que marinaram e dispõem-se sobre as torradas previamente cobertas de queijo de ovelha, ramos de hortelã e um toque de vinagre balsâmico.  Et voilà!

O nosso jardim tem diversas plantas desta família, ou seja das labiadas. Noutra ocasião, talvez escrevinhemos uns parágrafos sobre certas primas: manjericão, alecrim, salva, orégãos.

Também descobrimos segurelha (summer savory), de que nos recordamos sempre que cozinhamos sopa juliana à moda torrejana. Em breve, iremos verificar se, a esta latitude, dá o mesmo sabor ao feijão-verde.

Entretanto, vamos aguçando o bico para o cordeiro no espeto que compramos sempre na festa da comunidade grega. Trazemo-lo para casa e partilhamo-lo com amigos. Desta vez, será servido com geleia de hortelã à inglesa.

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