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Dois anos “austeritários!”

Vão dois anos desde que este governo tomou posse, não por mérito próprio mas devido a uma enorme saturação nacional para com o governo anterior e consequente demérito do mesmo.

Começaram por dizer que iam constituir o mais pequeno governo de sempre para pouparem dinheiro e cortarem gorduras. Foi um governo pequeno que depressa cresceu. Até houve um ministro que foi tomar posse de Lambreta. Vejam lá bem. Que grande exemplo de austeridade. Só que, passados dias, passou a andar bem montado em boas máquinas alemãs que são um autêntico ataque à solidariedade que vai apregoando. E quanto ao número de ministros, a escassez foi logo compensada com um bom número de secretários de estado a que se seguiram os habituais chefes de gabinete, os assessores e, como novidade, os especialistas, gente nova e experiente que se farta, todos com vencimentos de milhares de euros, para que nem toda a gente se queixe da austeridade. Até os motoristas são à farta, para condizer com a riqueza e o número dos popós grandes, pretos e alemães.

Cortar nas gorduras? Qual quê? Os “especialistas” não se queixam, bem antes pelo contrário.

Lembramo-nos bem, até porque há imensos registos dessas pantominas, das palavras frequentes do então candidato a primeiro-ministro, onde ele negava tudo, todos os dias, e em todos os locais, o que estava para fazer e que hoje, infelizmente, todos nós conhecemos bem na carne, no espírito e na carteira.

A partir dos primeiros dias, o governo desmascarou-se quando nos chamou “piegas”, quando disse que ia para além da troika, custe o que custar e o resultado está à vista.

Logo de princípio, o contabilista mor, veio declarar que o défice era maior do que esperava, era colossal, e ainda em 2011 lá ficaram com os subsídios de natal. Lembram-se?

Depois, depois foi o que se sabe. E para nossa azar, o tal contabilista mor, sempre com uma folha de Excel na mão, lá foi produzindo tantos erros, quantos números nos ia apresentando.

É o défice que nunca mais deixou de subir, é a desgraça do desemprego que nunca mais deixou de aumentar, é a malvada da dívida que nunca mais deixou de crescer, é a recessão que se instalou e todos os dias aumenta. E esses erros, que se têm vindo a repetir no tempo, aos olhos de alguns senhores, até já parecem normais, por mais anormais que sejam.

Aumentaram o IVA na electricidade e assim tanto deram facadas nos orçamentos familiares, como nos orçamentos das pequenas e médias empresas.

Lembram-se daquela trapalhada da TSU? Mas aí recuaram. Todos, patrões e empregados, estavam contra a medida. Até o segundo partido da coligação estava contra. E daí até aquela grandiosa manifestação de rua, foi um ápice. Recuaram mas não baixaram a ideia de empobrecer o país. Aliás, para além do tal contabilista mor, também dois altos funcionários de um dos maiores bancos americanos, especializados neste tipo de barafundas, têm vindo a assessorar, certamente a peso de ouro, um por dentro e outro por fora, este governo.

Acabaram com feriados civis e religiosos. Aumentaram o horário de trabalho e ainda o vão aumentar mais. Estão a destruir a escola pública e da saúde, quem lá vai é que sabe.

O IRS aumentou em todos os sentidos e, para nos retirarem sempre mais, baixaram também as deduções a que tínhamos direito – saúde, educação e prestação da casa, etc.

Aumentaram o IRC e as empresas começaram a fechar porque também lhes criaram mais uma série de impostos, taxas e outros que tais.

Mandaram fechar largas centenas, se não milhares, de restaurantes e outras unidades hoteleiras quando lhes subiram o IVA para 23%. Mais uns milhares de empregados para engrossar a já longa lista de desempregados.

Fizeram novas avaliações ao parque imobiliário e, quando o mercado está em completa recessão, até conseguiram, segundo o seu critério de terror, valorizar os imóveis só para cobrarem mais IMI. E neste caso do IMI, a procissão ainda vai no adro. Se este ano foi mau, já temos a promessa que em 2014 vai ser muito pior.

Instituíram os funcionários públicos e os reformados e pensionistas como seus inimigos de peito, a abater. Aos primeiros estão a fazer-lhes a vida negra, cortando-lhes vencimentos, incutindo-lhes o medo, prometendo mandar para a rua largas dezenas de milhar deles num processo mais que escuro. Aos segundos, para além de também lhes terem aumentado todos os impostos e cortado pensões, até lhes aplicaram a CES – Contribuição extraordinária de solidariedade como se fossem eles os culpados do estado a que isto chegou.

Face a todas estas medidas, convidaram também os portugueses a emigrar e eles aí vão, como foram na década de sessenta do século passado. Só que desta vez vão os mais qualificados, famílias inteiras, com crianças e tudo.

Por tudo isto, nunca um governo foi tão apupado em tudo o que é sítio e esses mimos também se têm vindo a estender ao primeiro magistrado da nação, grande aliado do governo.

Só mais uma palavra, desta vez para o Plano Nacional das Barragens. Vai ser muito pior do que as famigeradas Parcerias Público Privadas. Lembrem-se disto.

Resumindo e concluindo, estes dois anos seriam para esquecer não fosse a arrogância, a incompetência e o autismo com que o país é tratado e o mal que lhe estão a fazer, que vai demorar anos e anos a recuperar. Mas temos que ter esperança. Até porque, se não há bem que sempre dure, também não há mal que não acabe. Tenhamos pois esperança.

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